'EUA vão se dar mal se adotarem sanções contra o Irã', diz Garcia

Assessor de Lula diz que medidas não são legítimas e não serão bem recebidas pelo mundo

Andrei Netto, enviado especial a Madri

18 Maio 2010 | 14h23

MADRI - O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, afirmou nesta terça-feira, 18, em Madri, que a eventual adoção de sanções contra o Irã por parte dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - EUA, França, Reino Unido, Rússia e China - não será legítima, nem bem recebida pela comunidade internacional.

 

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Para Garcia, o acordo assinado pelo Irã, aceitando as condições internacionais para troca de combustível radioativo, deveria servir como primeiro passo nas negociações sobre o programa nuclear iraniano. "Se os EUA optarem pela sanção, eles vão se dar mal. Vão sofrer uma sanção moral e política. Cabe aos EUA decidir se querem ou não um new deal com o Irã", afirmou.

 

Nesta terça, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, anunciou que as potências nucleares entraram em acordo sobre um rascunho do novo pacote de sanções a ser aplicado sobre o Irã. Segundo a americana, o documento será apresentado ainda nesta terça para todo o Conselho de Segurança na sede da ONU, em Nova York.

 

O anúncio ocorre um dia depois de o Irã assinar um acordo com o Brasil e a Turquia para realizar a troca de urânio enriquecido por material nuclear pronto para ser usado em um reator de pesquisas. A proposta é semelhante à firmada entre a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e Teerã em outubro do ano passado, embora os iranianos tenham deixado o pacto na ocasião.

 

Segundo o assessor, a Casa Branca já tinha disposição para pressionar o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, por meio de restrições econômicas antes da assinatura do acordo. "A posição dos EUA era sim às negociações, mas após as sanções'', disse. "É ilusão pensar que o Irã, que não é um país qualquer, se deixaria abater por sanções econômicas. Outros menos fortes não se deixaram", completou Garcia.

 

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As sanções eram pretendidas pelas potências ocidentais, que temem que o Irã enriqueça urânio para produzir armas de destruição em massa. Elas dizem que a República Islâmica não coopera com a AIEA nas investigações sobre seu programa nuclear. Teerã, porém, nega e afirma que mantém as atividades atômicas apenas para produzir energia elétrica.

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