EUA veem avanço em negociação sobre assentamentos judaicos na Cisjordânia

Enviado americano disse que líderes israelense e palestino não evitaram 'questões difíceis' em reunião em Jerusalém.

BBC Brasil, BBC

15 de setembro de 2010 | 19h45

O enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, disse nesta quarta-feira que o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, avançaram nas negociações em relação aos assentamentos judaicos em terras palestinas.

Os dois líderes tiveram um encontro em Jerusalém sob mediação pelos Estados Unidos. A reunião fez parte da segunda rodada do diálogo direto entre os dois líderes, retomado no início de setembro após um intervalo de 20 meses.

"O assunto (assentamentos) foi discutido esta noite, nós continuamos com nossos esforços para avançar nesse assunto e acredito que estamos fazendo isso", disse Mitchell.

Os palestinos ameaçam deixar a negociação se a proibição israelense à construção de assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental não for prorrogada.

No entanto, Israel vem se recusando a prolongar a restrição, prevista para durar até 26 de setembro.

"Os dois líderes não estão deixando as questões difíceis para o final das discussões. Nós encaramos isso como um forte indicador da crença deles de que a paz é possível", disse Mitchell. Segundo ele, as duas partes concordaram em retomar as negociações na semana que vem.

Questões centrais

Antes do encontro, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, disse que os dois líderes estavam começando a tratar de "questões centrais que só podem ser resolvidas por meio de conversas diretas".

"Acredito que eles estão comprometidos com a construção de um acordo que resulte em dois Estados lado a lado", disse ela. Na terça-feira, Netanyahu e Abbas se reuniram no Egito, em reunião também mediada por Hillary.

Cerca de um milhão de judeus vivem em mais de cem assentamentos construídos desde a ocupação israelense da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, em 1967. As colônias são consideradas ilegais por leis internacionais.

No domingo, Netanyahu disse que não poderia prorrogar a suspensão das construções nos assentamentos judeus da Cisjordânia.

Pátria judaica

Já as concessões que os israelenses esperam dos palestinos incluem o reconhecimento de Israel como a pátria judaica e a definição rápida das fronteiras do futuro Estado palestino.

O status de Jerusalém segue como uma das questões mais polêmicas. Israel a reclama como sua capital indivisível, enquanto os palestinos querem que Jerusalém Oriental seja a capital do seu futuro estado.

Outro problema que os negociadores enfrentam é que só um dos territórios palestinos (a Cisjordânia) está representado no diálogo, já que o movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, se opõe às negociações.

Horas antes do encontro desta quarta-feira, aviões israelenses bombardearam túneis entre a Faixa e o Egito, matando um palestino. O ataque ocorreu após militantes em Gaza lançarem foguetes e morteiros no sul de Israel.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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