EUA veem eleição de moderado no Irã como oportunidade; Israel cobra mais pressão

WASHINGTON

LUÍS LIMA, Agência Estado

15 de junho de 2013 | 13h37

Um dia após a surpreendente vitória do moderado Hassan Rohani na eleição presidencial do Irã, os principais inimigos da república islâmica – EUA e Israel – reagiram de modo oposto neste domingo (16). Autoridades da Casa Branca deram sinais de otimismo, falando numa "oportunidade" de renovação do diálogo. Tel-Aviv, do outro lado, exortou a comunidade internacional a "não se iludir" e ampliar o cerco ao programa nuclear iraniano.

Em seus primeiros comentários após a vitória nas urnas, Rohani avisou que os problemas econômicos que o Irã enfrenta "não poderão ser resolvidos da noite para o dia". Em tom conciliatório, ele prometeu trabalhar com o Parlamento, que tem a prerrogativa de confirmar os integrantes do primeiro escalão de seu governo. A Guarda Revolucionária, força pretoriana da república islâmica, declarou que tem "toda a disposição" de trabalhar com o clérigo moderado.

A resposta de Washington à eleição no Irã veio de Denis McDonough, chefe de gabinete do presidente Barack Obama, em uma entrevista à rede de TV CBS. O fato de ter sido uma figura muito próxima de Obama – e não alguém do Departamento de Estado ou do Conselho de Segurança Nacional – indicaria que McDonough transmitia um recado do próprio presidente.

"Se (Rohani) está interessado em reparar as relações do Irã com o mundo, como ele disse em seus comícios de campanha, existe uma oportunidade para fazer isso", afirmou o chefe de gabinete de Obama. "Se ele cumprir suas obrigações, determinadas pela resolução do Conselho de Segurança da ONU, de tirar a limpo esse programa nuclear ilícito, encontrará em nós um parceiro e haverá uma oportunidade para isso."

O assessor de Obama disse que, caso o presidente cumpra as obrigações, haverá "uma grande oportunidade" para o Irã "ter o futuro que deseja".

Rohani era o único dos seis candidatos na disputa presidencial iraniana que não integrava o bloco político do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. Com apoio dos principais líderes da oposição reformista, esmagada nos levantes de 2009, ele defendeu o diálogo com a comunidade internacional para reduzir o impacto das sanções e abordou temas delicados, como os presos de consciência e o direto das mulheres. O resultado da eleição de sexta-feira surpreendeu iranianos e analistas estrangeiros: o clérigo, ex-negociador nuclear e "ovelha negra" da disputa recebeu 50,68% dos votos, ganhando o posto de presidente no primeiro turno.

Temores. Se o governo Obama deu sinais moderados de otimismo, o principal aliado dos EUA na região, Israel, demonstrou temor de que a vitória do moderado Rohani prejudique a campanha internacional para isolar o Irã. "Não devemos nos iludir. A comunidade internacional não pode sucumbir a um pensamento ilusório e na tentação de aliviar a pressão sobre o Irã para parar o programa nuclear", defendeu o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu.

Falando aos integrantes do seu gabinete, o premiê garantiu que não será descartada a possibilidade de recorrer à força para impedir o Irã de chegar à bomba. "Quanto mais cresce a pressão sobre o Irã, maiores são as chances de frear o programa nuclear iraniano, que continua a ser a maior ameaça à paz mundial", disse Netanyahu. "O Irã será julgado por suas ações. Caso continue a insistir em desenvolver seu programa nuclear, a resposta deve ser muito clara: para o progresso atômico com todos os meios à disposição."

Em tom mais moderado, o presidente de Israel, o Nobel da Paz Shimon Peres, afirmou que a eleição de Rohani representou uma derrota às alas mais radicais do Irã. "Mais da metade dos iranianos, à sua maneira, protestou contra uma liderança impossível", disse Peres.

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