EUA veem elo paquistanês em ataque taleban

A agência de inteligência paquistanesa ajudou os insurgentes que, na semana passada, atacaram a embaixada americana em Cabul, declarou no Senado americano o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, almirante Mike Mullen. Seus comentários foram os primeiros a relacionar diretamente a poderosa agência de espionagem do Paquistão (ISI) a um ataque contra os Estados Unidos.

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2011 | 03h02

O almirante ainda acusou a agência de tentar prejudicar os esforços militares americanos no Afeganistão. Os Estados Unidos há muito tempo dizem que a ISI tem vínculos estreitos com insurgentes afegãos, mas até agora ninguém foi mais contundente do que Mullen. Ele deve se aposentar no fim do mês.

Mullen foi o militar americano responsável por liderar as iniciativas de cooperação com os paquistaneses. Mas, neste ano, as relações degradaram-se e chegaram a seu nível mais baixo desde que comandos americanos localizaram e mataram Osama bin Laden, em maio. As autoridades paquistanesas não foram informadas previamente do ataque-surpresa, e dúvidas ainda persistem sobre se a ISI estava dando refúgio para o líder da Al-Qaeda.

O ataque à embaixada americana e o apoio da ISI à rede Haqqani - que é um dos grupos mais letais da insurgência contra forças americanas no Afeganistão - é o mais recente ponto de tensão. "Com o apoio da ISI, membros do grupo Haqqani planejaram e conduziram o ataque com um caminhão-bomba e também o assalto contra nossa embaixada", afirmou o almirante à Comissão de Serviços Armados do Senado. "Temos também evidências confiáveis de que eles apoiaram o atentado, em 28 de junho, contra o Hotel Intercontinental em Cabul e uma série de outras operações de menor porte, mas eficazes."

O ataque com um caminhão-bomba ao qual o almirante se referiu ocorreu num posto avançado da Otan ao sul de Cabul no dia 10. A explosão do veículo deixou pelo menos 5 soldados da coalizão mortos e 77 feridos. O número de feridos entre as tropas estrangeiras foi um dos mais elevados desde 2001.

Mullen depôs à comissão do Senado ao lado do secretário da Defesa, Leon Panetta, para quem o ataque contra a embaixada e o assassinato do ex-presidente afegão Burhanuddin Rabbani, líder do Alto Conselho de Paz do Afeganistão, foram "um sinal do enfraquecimento da insurgência".

Segundo ele, os ataques indicam que o Taleban mudou sua estratégia e agora procura alvos de maior evidência, tentando reverter o progresso feito pelo Exército americano. A audiência, convocada pela comissão para reexaminar a política militar americana no Iraque e no Afeganistão, foi a primeira de Leon Panetta como secretário da Defesa. / NYT

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