EUA veem militantes como ameaça para Índia e Paquistão

Relações entre os dois países, ambos possuidores de armas nucleares, pode ser desestabilizada por insurgentes

Agência Estado,

20 de janeiro de 2010 | 12h11

O secretário da Defesa dos EUA, Robert Gates, advertiu nesta quarta-feira, 20, que grupos militantes do sul da Ásia tentam desestabilizar toda a região. Segundo Gates, essas organizações poderiam inclusive ser um estopim de uma guerra entre o Paquistão e a Índia, dois países que possuem armas nucleares.

 

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Gates notou que, caso a Índia fosse atacada por um grupo militante sediado no Paquistão, não era possível se contar com a passividade de Nova Délhi. O secretário avaliou que o "sindicato" liderado pela Al-Qaeda - que inclui o Taleban no Paquistão e no Afeganistão, além do grupo islamita Lashkar-e-Taiba, sediado no Paquistão - representam um perigo para toda a região.

 

Eles estão tentando "desestabilizar não apenas o Afeganistão, não apenas o Paquistão, mas potencialmente toda a região, ao provocar talvez conflitos entre a Índia e o Paquistão através de algum ato provocativo", notou Gates durante uma visita a Nova Délhi. "É importante reconhecer a magnitude da ameaça que toda a região enfrenta", disse ele, durante conversas com o secretário de Defesa indiano, A.K. Antony.

 

A Índia e o Paquistão já travaram três guerras desde a independência dos dois países, em 1947. A tensão voltou a crescer em 2008, quando militantes, que Nova Délhi identificou como pertencentes ao Lashkar-e-Taiba, atacaram a cidade de Mumbai, matando 166 pessoas. A Índia não mobilizou suas forças, diferentemente de 2001, quando posicionou tropas na fronteira paquistanesa após um ataque ao Parlamento indiano.

 

Gates elogiou o comportamento indiano no caso, mas notou que um comportamento similar pode não se repetir da próxima vez. "Eu acho que não é irracional prever que a paciência da Índia seria limitada, caso haja mais ataques", disse Gates.

 

O governo indiano suspeita que o serviço de inteligência do Paquistão apoie grupos terroristas que têm a Índia como alvo e constantemente pede que Islamabad enfrente os militantes que operam em solo paquistanês.

 

Gates descreveu a Índia como um parceiro fundamental na luta contra as ameaças extremistas. Ele também elogiou o apoio econômico do país ao Afeganistão e disse que discutiu formas de aumentar a cooperação entre EUA e Índia.

 

Em encontros separados com o primeiro-ministro Manmohan Singh e o ministro das Relações Exteriores S.M. Krishna, na terça-feira, Gates discutiu "segurança regional". Além disso, assegurou que em julho de 2011 os EUA devem, conforme previsto, começar a retirar suas tropas do Afeganistão. O funcionário garantiu, porém, que os americanos não deixarão o país abandonado depois disso, mas apoiarão Cabul também econômica e diplomaticamente, por exemplo.

 

A cooperação entre EUA e Índia no setor de Defesa aumentou após os atentados de 11 de setembro de 2001 e de um acordo sobre tecnologia nuclear entre as duas nações, fechado em março de 2006.

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