EUA veem sinais de desentendimento no Taleban paquistanês

Washington afirma ter '90 por cento de certeza=' de que o líder do grupo, Baitullah Mehsud, foi morto

Reuters e AE-AP

12 de agosto de 2009 | 17h44

O enviado especial dos Estados Unidos para o Afeganistão e o Paquistão disse nesta quarta-feira, 12, que há sinais de desordem dentro do Taleban paquistanês após a aparente morte do líder do grupo em um ataque com míssil.    

 

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Washington afirma ter "90 por cento de certeza" de que o líder do Taleban no Paquistão, Baitullah Mehsud, foi morto em um ataque efetuado por um avião norte-americano não-tripulado no começo deste mês, no Waziristão do Sul. Assessores de Mehsud negaram, e dizem que ele está vivo. "O fim de Baitullah Mehsud, como todos sabemos, é algo grande", disse Richard Holbrooke, enviado dos Estados Unidos, citando relatos de "confusão entre seus seguidores, com manobras de outras facções".

Em um painel sobre o Taleban e seus aliados no Paquistão, organizado por um centro de pesquisas em Washington, Holbrooke disse que "todos (no grupo) estão agitados... Isso é uma notícia muito boa para todos nós". "Vai haver um ajuste importante. Não sabemos como será".

Mehsud é, ou era, o líder do Tehrik-e-Taliban do Paquistão, ou Movimento Taleban do Paquistão, uma aliança de 13 grupos militantes responsável por uma série de explosões e ataques suicidas pelo país, incluindo o que matou a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto em dezembro de 2007.

 

Enquanto funcionários norte-americanos e paquistaneses dizem que é quase certo que ele esteja morto, comandantes do Taleban afirmam que ele está vivo. Nenhum dos lados mostrou qualquer evidência de suas afirmações.

 

Dias após o ataque que teria matado o líder taleban, o ministro do Interior, Rehman Malik, afirmou que uma reunião do Taleban para escolher o sucessor de Mehsud acabou numa disputa armada entre Waliur Rehman e Hakimullah Mehsud e que um dos dois havia morrido.

 

Bitani fez declarações parecidas, dizendo que houve uma disputa durante a reunião, conhecida como shura, embora ele tenha afirmado que tanto Rehman quanto Hakimullah Mehsud tenham morrido.

 

Os dois comandantes militantes telefonaram mais tarde para organizações internacionais de mídia para provar que estavam vivos.

 

Mehsud e seus seguidores têm sido alvo de operações norte-americanas e paquistanesas que têm como objetivo libertar o volátil noroeste do país dos militantes.

 

Washington tem aumentado o foco nas regiões tribais paquistanesas porque elas fornecem esconderijos seguros para insurgentes que lutam contra forças internacionais na fronteira com o Afeganistão. Os Estados Unidos também estão preocupados com a possibilidade de os militantes perturbarem a estabilidade do governo em Islamabad, especialmente depois que os insurgentes do Taleban terem capturado, brevemente, áreas a cerca de 100 quilômetros da capital. A medida levantou temores de que as armas nucleares paquistanesas possam cair em mãos erradas.

 

Confrontos

 

Violentos confrontos entre combatentes do Taleban e homens leais a um senhor da guerra pró-governo mataram pelo menos 70 pessoas nesta quarta-feira segundo funcionários de inteligência, uma semana

depois de um avião teleguiado da CIA ter supostamente matado o principal líder taleban no Paquistão.

 

Os confrontos colocaram militantes taleban contra seguidores do senhor da guerra tribal Turkistan Bitani na extremidade fronteiriça do Waziristão do Sul, onde funcionários norte-americanos e paquistaneses acreditam que o chefe do Taleban, Baitullah Mehsud, morreu num ataque de mísseis na última quarta-feira.

 

O Exército paquistanês enviou helicópteros com armamentos como reforço para encurralar cerca de 300 combatentes taleban que atacavam a fortaleza montanhosa de Bitani, informaram dois funcionários de inteligência em condição de anonimato.

 

Os confrontos perduraram por horas com os militantes usando foguetes, morteiros e armamentos antiaéreos contra a vila de Sura Ghar, disseram os funcionários, acrescentando que interceptadores sem fio da área mostraram que pelo menos 70 pessoas - dentre elas uma mulher da vila - foram mortas. Eles disseram que dez dos mortos eram da fortaleza de Bitani e o restante eram militantes.

 

Não foi possível confirmar de forma independente os número de mortos, já que os confrontos ocorreram numa área remota e montanhosa. Bitani divulgou um número maior de mortos, dizendo à Associated Press que cerca de 90 combatentes morreram e que 40 casas foram destruídas.

 

Em outro episódio, um ataque a tiros e a bomba contra um posto de controle paramilitar na cidade de Quetta, sudoeste do Paquistão, matou duas pessoas e feriu outras quatro, dentre elas um policial, disseram as autoridades.

 

O policial Mohammad Suleman disse que uma motocicleta com uma bomba explodiu perto do posto de checagem no centro de Quetta, e então atiradores em outra motocicleta abriram fogo.

 

Quetta é a capital do Baluquistão, onde militantes étnicos locais têm travado confrontos há décadas na província rica em petróleo. Suleman disse que separatistas locais são suspeitos de terem realizado o ataque.

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