EUA vêem sinais de 'limpeza étnica' no Quênia

Enviada americana alerta que toa a ajuda financeira ao país será revisada, até mesmo destinada para ONGs

Associated Press, REUTERS

30 de janeiro de 2008 | 09h28

Há claros sinais de "limpeza étnica" no vale do Rift, oeste do Quênia, desde a polêmica eleição de 27 de dezembro, mas isso não chega a caracterizar um genocídio, disse nesta quarta-feira, 30, a principal diplomata norte-americana para a África. Além disso, os Estados Unidos estão revisando toda a ajuda que destinam ao Quênia, mesmo que a maior parte vá para o povo queniano e não para o governo, informou nesta quarta-feira a enviada americana Jendayi Frazer. Veja também: Entenda o conflito no Quênia   Muitos dos recursos doados pelos EUA ao Quênia são usados para combater a Aids e a malária e vão para organizações não-governamentais, ela reconheceu, mas mesmo assim toda a ajuda será revisada. "Nós estamos em um processo no qual revisamos toda a ajuda destinada ao Quênia," disse Frazer, durante a cúpula da União Africana, na Etiópia. "Houve um esforço organizado para expulsar pessoas do vale do Rift. É claramente limpeza étnica, (mas) não considero genocídio", disse a secretária-assistente de Estado Jendayi Frazer a jornalistas, durante visita à Etiópia. "O ciclo de retaliação foi longe demais e se tornou mais perigoso." O repentino mergulho do Quênia no caos - onde mais de 850 pessoas morreram nos confrontos étnico-partidários - horrorizou as potências mundiais, afetou a economia mais promissora da região e destruiu a imagem do país como uma nação estável e destino seguro para turistas. Frazer disse que os EUA querem uma investigação sobre a violência, inclusive a morte de civis por policiais, e que os responsáveis devem ser punidos. Ela pediu a todos os líderes quenianos que evitem a retórica inflamatória. Os distúrbios começaram depois que a oposição acusou o presidente Mwai Kibaki de fraude no pleito que o reelegeu.

Tudo o que sabemos sobre:
QUENIAEUALIMPEZA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.