Al Drago/Reuters
Al Drago/Reuters

EUA velam no Capitólio corpo do ícone dos direitos civis John Lewis

Parlamentar morreu de câncer no pâncreas no dia 17 de julho, aos 80 anos

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2020 | 21h35

Os Estados Unidos homenagearam nesta segunda-feira, 27, John Lewis, parlamentar que se tornou um marco na luta pelos direitos civis dos negros no país. Seu corpo foi velado sob a cúpula do Congresso, um reconhecimento reservado a grandes personalidades.

Coberto pela bandeira norte-americana, o caixão do ex-companheiro de Martin Luther King Jr. foi colocado esta tarde em capela-ardente na Rotunda do Capitólio.

O vice-presidente republicano, Mike Pence, e o ex-vice-presidente e atual candidato presidencial democrata, Joe Biden, estavam entre as figuras aguardadas no local.

Lewis, membro democrata da Câmara dos Deputados pelo estado da Geórgia desde 1987, morreu de câncer no pâncreas em 17 de julho, aos 80 anos.

Apesar da pandemia do coronavírus, os EUA, que vive um momento de forte luta antirracista, começaram os ritos solenes em tributo de Lewis no último sábado, em sua cidade natal, Troy, no Alabama.

O caixão deixou o estado do sul na manhã de segunda-feira e seguiu em procissão passando em frente aos principais pontos da capital federal, como os memoriais de King e Lincoln, a Suprema Corte, o Departamento de Justiça e o Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana.

Recentemente pintada de amarelo em uma rua próxima à Casa Branca, a inscrição "Black Lives Matter" (Vidas Negras Importam) foi renovada antes da chegada da procissão. O hino cristão "Amazing Grace" estava tocando quando o cortejo parou no local.

Lewis foi um grande crítico do presidente Donald Trump, que não comparecerá ao velório. 

Gigante na luta pela igualdade

O caixão com o corpo de Lewis foi colocado, após o cortejo, na parte superior da escadaria do Capitólio, para que o público possa, esta noite e amanhã, homenagear o gigante da luta pela igualdade, segundo um protocolo rigoroso para evitar a propagação do novo coronavírus.

Filho de meeiros que foram trabalhar nos campos de algodão, Lewis tornou-se aos 21 anos um dos "Cavaleiros da Liberdade" que lutavam contra a segregação do sistema de transporte americano no início da década de 1960. Em 1963, ele era o líder mais jovem da marcha de Washington, na qual Martin Luther King Jr. fez seu famoso discurso "Eu tenho um sonho".

Dois anos mais tarde, Lewis quase sucumbiu aos espancamentos policiais na ponte Edmund Pettus, em Selma, Alabama, onde liderava uma marcha pacífica de centenas de ativistas contra a discriminação racial. Na ocasião, um policial quebrou seu crânio e o deixou à beira da morte. 

No domingo, uma carruagem puxada a cavalo atravessou a icônica ponte carregando os restos mortais de Lewis, em um ato cheio de simbolismo.

As solenidades pela morte de Lewis terminarão em Atlanta, na Geórgia, nesta quinta-feira, quando ele será enterrado após uma cerimônia privada na Igreja Batista Ebenezer, onde pregava o pastor Martin Luther King Jr.

O parlamentar Elijah Cummings, que morreu no ano passado, foi o primeiro congressista negro a ser velado em uma capela em chamas no Capitólio, embora não na Rotunda, mas na Sala das Estátuas. Entre os políticos que tiveram despedidas no Capitólio recentemente estão o ex-presidente George H.W. Bush e o senador John McCain.

"É apropriado que Lewis se una a este panteão de patriotas", disse a deputada democrata Nancy Pelosi, em cerimônia solene. "Ele se tornou um titã do movimento pelos direitos civis e, em seguida, a consciência do Congresso." /AFP

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.