Eva Marie Uzcategui/Getty Images via AFP
Eva Marie Uzcategui/Getty Images via AFP

EUA viram foco do turismo da vacina latino

Com pandemia piorando na América do Sul, classe média e ricos viajam por imunizantes

Ernesto Londoño, Daniel Politi e Santi Carneri, The New York Times, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2021 | 05h00

MIAMI - Florencia Gonzalez Alzaga, uma fotógrafa de Buenos Aires, planejou sua ida aos Estados Unidos para ser vacinada contra o coronavírus depois que o assunto surgiu em uma reunião online do seu clube do livro.

Juan Pablo Bojacá, um influenciador colombiano especializado em viagens frugais, pediu que seus 137 mil seguidores dessem uma chance à ideia, postando um guia passo a passo de como fazê-la.

José Acevedo, um corretor de imóveis paraguaio, ficou surpreso com a facilidade com que tudo foi feito em Las Vegas.

Frustrados com o ritmo lento das campanhas de vacinação em casa e vendo um excedente de doses nos Estados Unidos – onde dezenas de milhões de americanos optaram por não serem vacinados – latino-americanos ricos e de classe média têm se deslocado nas últimas semanas em busca da imunização. “É como um sonho”, disse Gonzalez, que foi vacinada em Miami em abril.

O turismo da vacina provou ser uma bonança para os privilegiados em países onde o vírus continua a causar danos brutais, mesmo que muitos, incluindo aqueles que estão se beneficiando, lutem com o fato de que ele amplia a desigualdade que piora o número de vítimas da pandemia.

Sean Simons, porta-voz da ONE Campaign, que trabalha para erradicar doenças e pobreza, disse que viagens por vacinas podem ter consequências graves não intencionais e pediu às nações com excedentes de doses que as canalizassem por meio do mecanismo Covax, da Organização Mundial da Saúde

“Milionários e bilionários viajando através de continentes ou oceanos para obter uma vacina, geralmente duas vezes, significa maior probabilidade de propagação de variantes”, argumenta.

O governo Biden disse neste mês que daria 80 milhões de doses de vacinas até o final de junho para países que estão lutando por doses.

Ainda assim, as autoridades locais em Nova York e no Alasca incentivam ativamente o turismo de vacinação, o custo da passagem aérea em várias rotas disparou.

As agências de viagens da região começaram a vender pacotes de vacinas, incluindo roteiros internacionais para brasileiros, que devem passar duas semanas em um terceiro país antes de poderem entrar nos Estados Unidos.

De modo geral, os estrangeiros que entram com visto de turista podem buscar atendimento médico nos Estados Unidos.

Embora o Departamento de Estado conduza verificações de antecedentes de segurança de estrangeiros que solicitam vistos, as autoridades disseram que não fazem a triagem de pessoas que estão visitando o país explicitamente para obter uma vacina. Uma vez no país, disseram as autoridades, cabe aos Estados, comunidades locais e profissionais de saúde decidir se darão a vacina sem comprovação de residência americana.

Políticos proeminentes da América Latina estiveram entre aqueles que voaram para os Estados Unidos para tentar a sorte. César Acuña prometeu, como candidato presidencial no Peru no início deste ano, que pretendia ser “o último” em seu país a ser vacinado. Mas depois de perder nas urnas, ele descumpriu a promessa.

Mauricio Macri, o ex-presidente da Argentina, prometeu em fevereiro que não “seria vacinado até o último argentino em um grupo de alto risco e todos os trabalhadores essenciais o fizeram”, vacinou-se recentemente em Miami. 

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