EUA voltam a bombardear Afeganistão

Após um dia de trégua, respeitando a sexta-feira, dia sagrado dos muçulmanos, os Estados Unidos voltaram a bombardear, na manhã deste sábado, o Afeganistão. As duas principais cidades do país, a capital Cabul, e Kandahar, quartel-general do Taleban, amanheceram sob pesados bombardeios. Aéreas no norte do país também foram bombardeadas. As informações são da rede de televisão norte-americana CNN. Kandahar foi o principal alvo da operação. Vários aviões sobrevoaram a cidade, mas não bombardearam o centro urbano. O ataque foi concentrado sobretudo no aeroporto. A região já foi bombardeada diversas vezes desde o início da ofensiva militar americana contra o Afeganistão, no dia 7 de outubro. Fontes do Pentágono admitiram que a própria residência do mulá Mohammad Omar, chefe supremo dos talibã, já foi atingida pelos bombardeios, ignorando-se contudo se havia alguém em seu interior. O automóvel utilizado pelo mulá também teria sido destruído. Do lado afegão, a agência de notícias ligada ao regime do taleban, a Afghan Islamic Press (AIP), informou que ataques aéreos norte-americanos realizados na noite de sexta-feira contra o aeroporto de Cabul mataram quatro pessoas e deixaram oito feridos em um povoado próximo. Os aviões teriam feito dois ataques sucessivos e várias bombas teriam caíram no povoado de Qala Meer Abas, a 2 km ao sul do aeroporto da capital afegã. Dos oito feridos, um se encontra em estado grave, informou a agência. Na região norte, as forças rebeldes da Aliança do Norte e soldados do taleban estariam empenhados em violentos combates em torno da cidade de Mazar-e-Sharif, importante posição nos planos para o avanço das tropas oposicionisas. As forças da Aliança do Norte teriam conseguido ocupar posições estratégicas que impediriam o acesso de suprimentos para as tropas governamentais. A oposição afegã informou também, neste Sábado, ter conquistado três povoados sob domínio taleban em Aibak, capital de Shamangan, norte do Afeganistão. Segundo o porta-voz da Aliança do Norte, três chefes militares do taleban e 80 dos seus homens teriam se uniram à oposição. Apesar da avalanche de acontecimentos, o regime taleban rejeitou, neste Sábado, a oferta do presidente norte-americano George W. Bush de cessar os ataques aéreos se a milícia entregasse Osama bin Laden. O ministro da Informação afegão, mulá Qudratullah Jamal, disse que o seu país lutará até o último suspiro e acrescentou que o entendimento do taleban é que as intenções dos Estados Unidos ?referem-se à uma guerra contra os muçulmanos e afegãos?.

Agencia Estado,

13 Outubro 2001 | 06h54

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