EUA voltam a pedir resolução da ONU contra a Síria

Conselho de Segurança deve se reunir hoje para discutir a repressão de Damasco após 4º dia de [br]ataques contra porto

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

No quarto dia de ofensiva das forças de segurança sírias contra a cidade portuária de Latakia, o Departamento de Estado americano lamentou que uma resolução condenando o regime de Bashar Assad ainda não tenha sido aprovada no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Amanhã, o órgão decisório máximo da ONU deve se reunir para debater a questão síria. Por enquanto, prevalece a divisão entre os países do conselho, dificultando uma negociação para a resolução contra Assad. O mais perto de um acordo que eles chegaram foi a aprovação, há duas semanas, de uma declaração presidencial, com peso bem menor.

"Nós ainda não temos uma resolução no Conselho de Segurança, pois alguns países não apoiam esta medida", disse Victoria Nuland, porta-voz do Departamento de Estado.

Países europeus e os EUA têm trabalhado para conseguir levar adiante um texto condenando o regime de Damasco, mas esbarram na oposição de Rússia e China, com poder de veto, além de Brasil, Índia, África do Sul e Líbano, integrantes rotativos do conselho.

Na avaliação do grupo, que também condena a violência de Assad, uma resolução agora poderia ter efeitos indesejáveis e seria melhor esperar mais algum tempo. O prazo seria de dias ou semanas, mas não de meses. Também existe uma insatisfação com a forma como a resolução que estabeleceu uma zona de exclusão aérea foi usada pela Otan na Líbia.

A posição mais importante tem sido a da Turquia, que não integra o Conselho de Segurança. Todos observam os próximos passos de Ancara desde que o chanceler turco, Ahmet Davutoglu, deu um ultimato a Assad anteontem. Os dois países eram fortes aliados até o início dos levantes. "Não será novidade se os EUA disserem que Assad precisa sair. Mas se a Turquia ou rei Abdullah (não especificou se o saudita ou o jordaniano) disser isso, não haverá como o regime Assad ignorar", disse ontem a secretária de Estado Hillary Clinton.

Repressão. Nos ataques de ontem contra Latakia, as forças de segurança usaram tanques. As afirmações de que navios da Marinha foram usados não foram comprovadas nem mesmo pela Embaixada dos EUA em Damasco. O foco das operações são bairros sunitas mais pobres da cidade e campos de refugiados palestinos.

O regime sírio argumenta que enfrenta milícias armadas, mas não há confirmação independente. Pelo menos 34 pessoas foram mortas na cidade até agora. Desde o início dos levantes, seriam mais de 2 mil mortos, segundo a oposição. O governo afirma que 500 membros de suas forças de segurança foram mortos por milícias armadas opositoras.

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