Carlos Barria/AP
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EUA voltarão ao acordo nuclear apenas se Irã honrar seus compromissos, diz novo secretário de Estado

Em seu primeiro dia como chefe da diplomacia americana, Blinken confirmou a disposição do presidente Biden de retornar ao acordo, mas rejeitou pressão iraniana para que os EUA tomem a liderança|

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2021 | 20h43

WASHINGTON - Os Estados Unidos retornarão ao acordo nuclear com o Irã quando Teerã cumprir seus compromissos com o pacto assinado em 2015, disse o novo secretário de Estado americano, Antony Blinken, nesta quarta-feira, 27, alertando que o caminho para um acordo será longo.  

Em seu primeiro dia como chefe da diplomacia americana, Blinken confirmou a disposição do presidente Joe Biden de retornar ao acordo que seu antecessor abandonou, mas rejeitou a pressão iraniana para que os Estados Unidos tomassem a liderança nesse aspecto.

"O Irã não está cumprindo com suas obrigações em várias frentes. E levará algum tempo, se decidir fazê-lo, para cumprir com suas obrigações novamente e para que avaliemos se está fazendo isso", afirmou Blinken em entrevista coletiva. "Ainda não chegamos a esse ponto, para dizer o mínimo."

Em 2018, o ex-presidente Donald Trump retirou os EUA do um acordo nuclear internacional negociado em 2015 sob a presidência de Barack Obama e voltou a impor sanções a Teerã. O Irã respondeu reduzindo o cumprimento do acordo, formalmente conhecido como Plano Global de Ação Conjunto (JCPOA), segundo o qual a república islâmica obteve alívio econômico em troca de restrições ao seu programa nuclear.

"O presidente Biden foi muito claro ao dizer que se o Irã cumprir integralmente suas obrigações sob o JCPOA novamente, os Estados Unidos fariam o mesmo", garantiu Blinken.

Mas o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, exigiu que os Estados Unidos dessem o primeiro passo e desistissem das sanções definidas por Trump, que afetam principalmente as exportações de petróleo, principal pilar da economia iraniana.

Se o Irã voltar ao acordo, Washington tentará construir o que Blinken chamou de um "acordo mais extenso e mais forte" que trataria de outras questões "profundamente problemáticas". Ele não citou quais seriam, mas Biden já mencionou que elas incluiriam o desenvolvimento de mísseis balísticos pelo Irã e seu apoio a forças aliadas em países como Iraque, Síria, Líbano e Iêmen./AFP e REUTERS 

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