EFE/EPA/ABEDIN TAHERKENAREH
EFE/EPA/ABEDIN TAHERKENAREH

EUA x Irã: A cronologia da crise no Oriente Médio

Do bombardeio que matou um americano no Iraque às consequências da morte de Suleimani

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2020 | 20h18

Em cerca de uma semana, a tensão entre os Estados Unidos e o Irã foi do combate indireto à possibilidade de guerra entre os dois países. A morte do general iraniano Qassem Suleimani, um dos mais influentes chefes militares do Oriente Médio, intensificou de forma brusca um conflito que havia se intensificado nos dias anteriores. 

No momento, enquanto o Irã promete vingança pela execução do líder militar, o Exército dos EUA se veem em um impasse quanto à situação de suas tropas em solo iraquiano, onde o ataque foi prepretado.

Entenda, abaixo, a cronologia da crise militar: 

27 de dezembro: Americano é morto no Iraque

A escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã começou quando mais de 30 foguetes foram lançados contra uma base militar iraquiana perto de Kirkuk, ao norte do Iraque. No ataque, um empreiteiro americano foi morto, e outros quatro americanos e dois soldados iraquianos ficaram feridos. 

Os EUA acusaram a milícia xiita Kataib Hezbollah, financiada pelo Irã, de lançar o ataque. Um porta-voz da milícia negou envolvimento do grupo. O presidente Donald Trump responsabilizou o Irã pelo ataque, e no Twitter disse que “o Irã matou um empreiteiro americano e feriu muitos”. 

O Iraque já vivia meses de protestos violentos. Desde outubro, multidões iam às ruas para protestar contra o desemprego, a corrupção e à intervenção estrangeira no país. Um dos alvos do protesto era o vizinho Irã, que intensificou sua influência política no Iraque nos últimos anos. 

29 de dezembro: Bombardeios dos EUA matam 25

O contra-ataque veio dois dias depois da morte do empreiteiro americano. O Exército dos EUA conduziu bombardeios aéreos contra locais estratégicos associados ao Kataib Hezbollah no Iraque. 

Na ação, 25 pessoas morreram e 51 ficaram feridas. Foi a primeira vez que os EUA agiram com força contra um grupo xiita no Iraque desde o retorno das forças americanas à região, em 2014. 

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31 de dezembro: Embaixada americana é invadida

Em protesto contra os ataques que mataram 25 pessoas no Iraque, manifestantes invadiram a área da embaixada dos Estados Unidos em Bagdá. O grupo não chegou a entrar no prédio, mas milhares de pessoas se juntaram durante a invasão – muitos deles membros de grupos de combate tecnicamente vigiados pelo Exército iraquiano. Trump acusou o Irã de “orquestrar” o ato. 

3 de janeiro: Qassem Suleimani é morto

Os EUA ordenam a morte do general Qassem Suleimani, maior liderança militar do Irã. Ele é morto em um ataque a drone no aeroporto de Bagdá, junto com integrantes da milícia xiita. Suleimani é acusado pelos americanos de orquestrar os ataques da milícias contra americanos no Iraque, além de ser responsável pela morte de centenas de americanos nas últimas décadas. Segundo o Pentágono, ele estaria ainda planejando uma série de ataques contra militares e diplomatas americanos no Oriente Médio. 

O Irã promete uma “vingança severa”, e o Iraque considera o ataque uma violação à soberania do país, que não foi consultado. 

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5 de janeiro: Parlamento iraquiano vota por expulsão de tropas

As ruas do Iraque e do Irã são tomadas por manifestantes que pedem “morte à América” a partir da morte do general. O Parlamento iraquiano aprova medida para expulsar as tropas americanas do país, com apoio do primeiro-ministro, Adel Abdul Mahdi. Trump e o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, rechaçam a possibilidade de retirada dos militares. 

O Irã, por sua vez, anuncia que renunciará aos compromissos feitos no acordo nuclear de 2015, assinado por seis potências mundiais, e que o enriquecimento de urânio será ilimitado. Multidões acompanham o cortejo do corpo de Qassem Suleimani entre o Iraque e o Irã. 

6 de janeiro: EUA negam retirada do Exército

O Pentágono nega qualquer movimentação para retirar tropas do Iraque. O anúncio é feito após a divulgação de uma carta do general americano resposável pelas operações militares no Iraque, em que cita uma “reorganização” das forças da coalização antiterrorismo, da qual EUA e Iraque fazem parte, até “uma retirada segura e eficaz” do país.

A condição imposta pelo presidente dos EUA para a retiradaé que o Iraque pague pela base militar construída em solo iraquiano. As homenagens a Suleimani, que tomaram as ruas do Irã, continuam.

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7 de janeiro: Bases com tropas americanas são atingidas

Ao menos duas bases com soldados americanos no Iraque foram atacadas com mísseis balísticos disparados do Irã, segundo informações do Pentágono. Fontes do governo americano informaram que os ataques ocorreram em múltiplas localidades, incluindo as bases de Ain al-Assad, no oeste do Iraque, e Irbil, no norte.

Até as 21h30 desta terça, 7, não estava claro quais outros locais haviam sido atingidos.

A TV iraniana afirmou que "dezenas de foguetes" iranianos foram disparados em resposta ao assassinato de Suleimani. Segundo a TV estatal Press TV, a Guarda Revolucionária iraniana reivindicou os ataques com mísseis terra-terra contra a base, localizada na Província de Anbar. 

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