Abel Uribe/Chicago Tribune via AP
Abel Uribe/Chicago Tribune via AP

EUA x Irã: Até aliados de Trump questionam estratégia

Se mesmo o Pentágono não souber se está indo ou vindo no Iraque, pode ser difícil culpar o restante do mundo por estar um pouco confuso com a estratégia do presidente para o Oriente Médio

Peter Baker / NYT, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2020 | 05h00

Se mesmo o Pentágono não souber se está indo ou vindo no Iraque, pode ser difícil culpar o restante do mundo por estar um pouco confuso com a estratégia do presidente Trump para o Oriente Médio. Enquanto mísseis iranianos caíam nas bases americanas ontem em retaliação ao ataque de drones na semana passada que matou o general mais poderoso do Irã, o governo se esforçou para explicar sua missão e objetivos na região em meio a uma mistura caótica de declarações conflitantes, sinais cruzados e mensagens contraditórias.

O presidente que prometeu trazer as tropas do Oriente Médio para casa agora está despachando mais soldados para lá. Na segunda-feira, o Pentágono enviou uma carta dizendo que estava se retirando do Iraque, para depois negá-la. O Departamento de Estado falou sobre “desescalonamento”, enquanto Trump bateu os tambores de guerra, descrevendo todas as maneiras pelas quais ele devastaria o Irã, caso o país prejudicasse mais os americanos. E, mesmo assim, o presidente foi forçado a desistir de sua ameaça de atacar locais culturais iranianos depois que seu secretário de Defesa disse que isso era um crime de guerra.

“As mensagens acabam sendo horríveis”, disse David Lapan, ex-porta-voz do Departamento de Segurança Interna no início do governo Trump. “Numa época em que você tem algo tão sério, precisa de uma comunicação clara.”

Com Trump, grande parte de sua presidência é situacional – ele se move de uma crise para outra, muitas delas criadas por ele mesmo. Trump disse há muito tempo que gosta de ser imprevisível e vê isso como uma força. “O processo confuso expõe as explicações desleixadas, declarações públicas desorganizadas e esforços diplomáticos e militares apressados”, disse John Gans, ex-redator-chefe do Pentágono.

Diferentemente de Obama ou de George W. Bush, que fez discursos longos e abrangentes explicando sua abordagem às guerras no Oriente Médio, Trump raramente expõe seu pensamento em profundidade. Em vez disso, ele oferece tweets ousados e sonoras entrevistas, deixando para a audiência decidir qual é sua estratégia.

Até os melhores amigos de Trump na região estão tentando descobrir para onde ele está indo. Shalom Lipner, ex-conselheiro de sete primeiros-ministros de Israel, disse que o atual, Binyamin Netanyahu, foi informado que Trump não tomaria decisões contra o Irã neste ano. “Todo mundo está se esforçando e com medo de que esta possa ter sido sua despedida para sair da região e deixar os aliados se defenderem”, disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.