HO / IRIB / AFP
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EUA x Irã: Bases atingidas são as maiores instalações usadas por americanos no Iraque

Ataque da guarda revolucionária iraniana foi uma das respostas esperadas à operação que matou o general Qassim Suleiman

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2020 | 23h46

O ataque da guarda revolucionária iraniana contra as bases de Ain al-Assad e Irbil é talvez a pronta resposta mais eficiente que o governo do Irã poderia oferecer nesse momento, em represália ao ataque com mísseis Hellfire, por meio de um drone, que na madrugada da sexta-feira matou o general Qassim Suleimani nas imediações do aeroporto de Bagdá. 

O arsenal iraniano é equipado poderosamente com exatamente esse tipo de arma: mísseis e foguetes. A diferença entre um e outro é que um míssil tem uma “cabeça” eletrônica, uma carga eletrônica que permite que ele seja dirigido para um ponto previamente programado. Ele é balístico porque faz uma trajetória dentro dessas coordenadas. O foguete não tem nenhum tipo de guiagem. 

Aparentemente os ataques desta noite foram feitos empregando os dois tipos, ou seja, foguetes que não têm um sistema de navegação, não têm sistemas de guiagem, e mísseis que têm esse sistema embarcado. O Irã produz 17 tipos diferentes de mísseis, 11 deles muito modernos e pelo menos três deles têm alcance de 3.000 quilômetros.

As bases atingidas são as maiores instalações usadas por americanos no Iraque

A base Assad é uma espécie de recuperação de um amplo complexo construído ainda nos anos 80. Na verdade, as obras foram iniciadas no fim dos anos 70 e por Saddam Hussein e é muito grande. Tem acomodações para um número entre 5.000 a até 18.000 soldados. Foi prevista inicialmente pelo governo iraquiano dentro deste perfil. Tem duas pistas de quase 4.000 metros. O efetivo atual americano ali não é conhecido, mas pode estar entre 1.800 a 3.000 homens. 

A base é um complexo. Tem núcleo habitacional, área de lazer, etc. Assim como Irbil, ela concentra operações de aviação de transporte: aviões cargueiros, aviões de apoio logístico, aviões eletrônicos, aviões de espionagem, que ficam estacionados ali, além de helicópteros de ataque e eventualmente esquadrões de combate. De uns tempos para cá, normalmente, os esquadrões de combate não ficam no Iraque. Eles ficam em países vizinhos, onde os EUA também mantêm bases militares. 

A reação iraniana foi uma das possibilidades esperadas. Outras possibilidades esperadas eram ataques, também com mísseis, e apenas com mísseis, contra porta-aviões nucleares americanos que estão na região. Uma das mais importantes da região é a do Barein, onde os EUA mantêm frequentemente uma fortilha da qual faz parte quase sempre um porta-aviões. Outra seria uma interdição do canal de Ormuz, o que aparentemente não seria muito eficiente porque poderia ser desobstruído, numa eventual obstrução, até com alguma facilidade. 

O importante é que o Irã atacou as duas bases americanas com mísseis, ou seja, com armas muito sofisticadas. Foi bem sucedido nisso (disparou cerca de 30 unidades), numa combinação de 12 até 30 mísseis e foguetes, para fazer uma saturação de fogo com os foguetes, ou seja, para fazer uma saturação de muita carga explosiva, e aí atingir alvos específicos com os mísseis de médio alcance. 

A combinação de foguetes mísseis é notável – os primeiros fazem o trabalho pesado e os outros atingem os alvos com precisão. O ataque, conhecido como “chuva do inferno” ou “chuva de fogo”, onde muitos mísseis são disparados sobre um só alvo, foi uma façanha tecnológica da Guarda Revolucionária.

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