Eufórico, Japão espera nascimento de herdeiro real

O Japão aguardava com euforia, nesta sexta-feira, o nascimento de um herdeiro real, depois que a princesa Masako, de 37 anos, foi levada para o hospital que fica em uma das alas do palácio imperial de Tóquio. "As contrações ainda não começaram, mas o momento do parto está próximo", revelou o porta-voz real, Hirobumi Oka, às dezenas de jornalistas que estavam diante dos portões do palácio para obter informações sobre a princesa. Os meios de comunicação japoneses informaram que o bebê deve nascer na madrugada deste sábado. A chegada de Masako ao hospital, em uma limusine negra, acompanhada de seu marido, o príncipe herdeiro Naruhito, de 41 anos, foi transmitida ao vivo pela TV. Sorridente e usando um vestido azul-escuro enfeitado com um broche de ouro, Masako saudou um grupo de pessoas que já se havia instalado junto às grades do palácio. Se o bebê for menino, será o segundo na linha de sucessão ao trono do Crisântemo, depois de seu pai, o príncipe Naruhito. O bebê será o primeiro varão a nascer na família imperial desde 1965, ano de nascimento do irmão caçula de Naruhito, o príncipe Akishino. No caso de ser menina, é provável a reabertura do debate sobre uma mudança na Constituição japonesa para permitir que uma mulher ocupe o trono imperial, evitando uma potencial crise sucessória. Desde seu casamento com Naruhito em 1993, Masako, uma ex-diplomata que fala várias línguas e estudou na Universidade Harvard, vinha sofrendo pressões da opinião pública para que desse um herdeiro ao filho mais velho do imperador Akihito e da princesa Michiko. O fato de Masako e Naruhito não terem filhos - a princesa sofreu um aborto dois anos atrás - preocupava não somente a família imperial, mas também a maioria dos japoneses. A notícia de que o bebê imperial estava para nascer causou euforia e expectativa em Tóquio. Os japoneses aguardavam nesta sexta-feira o feliz acontecimento, deixando de lado o preocupante estado da economia do Japão, cada vez mais afetada pelo crescente desemprego e inflação em alta. Na bolsa de Tóquio, as ações dos fabricantes de artigos para bebês tiveram seu valor duplicado. O setor espera um elevado aumento de nascimentos no Japão. Mas especialistas estimam, no entanto, que este será apenas um breve período favorável na longa crise que afeta a economia japonesa. A imprensa sensacionalista mostrou-se mais reservada, depois de ter sido responsabilizada pelo aborto espontâneo de Masako em 1999. Naquela época, os repórteres perseguiam incessantemente a princesa, causando-lhe grande estresse. Desde então, a ultraconservadora família imperial fechou-se ainda mais. Ao contrário da família real britânica e de outras européias, envoltas em escândalos, a família imperial japonesa goza há décadas de uma aprovação de 80% da população. O nascimento da criança seguirá uma tradição secular. O bebê receberá seu nome no sétimo dia após seu nascimento, mas não serão seus pais que o escolherão e sim um grupo de especialistas e o imperador Akihito.

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