Eunucos indianos reivindicam igualdade de tratamento

Cerca de 5 mil de eunucos concluíram neste domingo um encontro de uma semana em Varanasi, na Índia. Suas principais reivindicações são igualdade de tratamento e oportunidades de trabalho nas universidades e no governo. ?Estamos incapacitados sexualmente e devemos ser tratados como qualquer outro deficiente físico?, disse Renee Kapoor, da Conferência de Eunucos da Índia. Kapoor informou que uma comissão de 10 membros apresentará formalmente suas exigências ao governo no ano que vem. Na Índia há milhares de eunucos, que costumam se vestir de mulher e usar jóias. Geralmente, eles ganham a vida dançando em festas de casamento e festivais hindús, ou abençoando bebês recém nascidos. Ainda que para alguns indianos a presença de um eunuco represente boa sorte, os eunucos costumam ser discriminados nos círculos educacionais e enfrentam proibições para exercer cargos governamentais e outros postos de prestígio. Após de se tornar independente da Grã-Bretanha em 1947, a Índia empreendeu uma campanha para eliminar as distinções entre as castas, e destinou alguns lugares nas universidades e no governo para as camadas consideradas inferiores da sociedade. Mas os eunucos não foram contemplados com esta política de inclusão. Os eunucos indianos são chamados hijras (impotentes, em Urdu). Eles se consideram como parte de um terceiro sexo, mas vestem-se, em geral, como mulheres, e adotam nomes femininos. Os hijras têm um hábito secular de seqüestrar meninos para castrá-los. Isso explica o porquê de haver tantos eunucos no país, já que 90% deles são castrados pelos hijras. Na época dos imperadores mongóis, os eunucos indianos foram usados como guardiães dos haréms imperiais.

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