Eurodeputados dão prêmio para dissidente cubano

Oswaldo Payá, líder do Movimento Cristão de Libertação de Cuba, cuja ação foi recompensada com o prêmio Andrei Sakharov na terça-feira, no Parlamento Europeu de Estrasburgo, reivindica um referendo que permita a organização de eleições livres e transparentes em Cuba. "Nós já reunimos 11 mil assinaturas de apoio a essa iniciativa, apesar da repressão no país, e dispomos de outras 10 mil", revelou o dirigente da oposição, explicando o Projeto Varela, criado há cinco anos para preparar uma transição pacífica em Cuba. No final da intervenção no Parlamento Europeu, Payá foi ovacionado de pé pelos eurodeputados, uma manifestação de apoio que nenhum outro dirigente da oposição cubana jamais recebeu dessa assembléia. Payá disse que "é o povo cubano que merece esse reconhecimento", lembrando que "milhares de homens e mulheres? de seu país lutam ?pelos direitos e liberdades de todos os cubanos, apesar de serem perseguidos pelos dirigentes do regime". Durante sua presença no Parlamento Europeu, Payá lembrou "a inexistência dos direitos civis em Cuba e suas conseqüências graves como as desigualdades, a pobreza e os privilégios de uma minoria". Payá, condenado a trabalhos forçados em 1960, recebeu autorização para deixar o país pela primeira vez para receber, na Europa, esse prêmio altamente simbólico. Ele disse estar convencido que há atualmente em Cuba "o desaparecimento do medo" da opinião pública, que se torna cada dia mais ousada e reivindicativa. Segundo ele, por isso "chegou a hora de o povo cubano ser consultado, por meio das urnas, sobre as mudanças democráticas que se impõem ao país". Segundo Payá, seu pedido de referendo tem base na própria Constituição cubana. Ele disse que sua luta envolve um número cada vez maior de cubanos interessados na liberalização política. O Parlamento de Estrasburgo chegou a emocionar-se com esse homem de 50 anos que saiu de um quase anonimato, com uma voz frágil, mas convincente, e que rapidamente soube conquistar os parlamentares europeus. Não se trata de um revolucionário ou um militar, interessado em obter a mudança do regime por meios violentos, mas de um dissidente incansável que só emprega meios pacíficos para atingir seus objetivos. Suas iniciativas nada belicosas têm sido aplaudidas; ele também foi saudado pelo eurodeputado britânico Pat Cox. Isso porque Payá tem reafirmado que não escolheu a via pacífica por simples tática, mas porque a experiência ensina que a violência provoca a violência e que, quando mudanças políticas são conduzidas por esse meio, o resultados têm sido sempre formas de opressão e de injustiça.

Agencia Estado,

19 Dezembro 2002 | 19h25

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