Anne CHAON / AFP
Anne CHAON / AFP

Europa aceita receber os 356 migrantes do 'Ocean Viking'

A maioria dos migrantes  são homens adultos e cerca de dois terços vêm do Sudão, outros da Costa do Marfim, do Mali e do Senegal

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2019 | 03h09

ROMA - Depois de mais de dez dias à deriva, um acordo entre países da União Europeia permitiu, nesta sexta-feira, 23, o desembarque das 356 pessoas resgatadas pelo navio humanitário Ocean Viking - um alívio para as ONGs SOS Mediterranée e Médicos Sem Fronteiras, que estavam ficando sem mantimentos para os migrantes. 

A evacuação terminou às 17H30 GMT (14h30 em Brasília), que durou uma hora e meia. Os migrantes foram transportados à ilha de Malta através de lanchas do exército maltês. Após esta operação, o Ocean Viking se dirigiu a Marselha, onde fica seu porto de origem.

Como o primeiro-ministro maltês, Joseph Muscat, tinha anunciado, a evacuação foi realizada em alto-mar, fora das águas territoriais maltesas. Os migrantes resgatados desembarcaram em Malta por volta das 21H00 GMT (18h00 de Brasília), mas eles não podem ficar lá. 

Muscat anunciou no Twitter o acordo de distribuição dos migrantes, com a participação de França, Alemanha, Irlanda, Luxemburgo, Portugal e Romênia. "Ninguém ficará em Malta", acrescentou. 

A França detalhou que vai receber 150 migrantes dos 356, depois de ter confirmado há três dias que acolherá outros 40 migrantes de outro navio humanitário, o Open Arms, bloqueado na Itália.

O ministro francês do Interior, Christophe Castaner, ressaltou que a França "demonstrou sua solidariedade" e agradeceu as autoridades maltesas, em especial seu homólogo, bem como o comissário europeu para as Migrações por sua mediação. "Juntos, conseguimos forjar uma solução europeia", escreveu no Twitter.

A maioria dos migrantes  são homens adultos e cerca de dois terços vêm do Sudão, outros da Costa do Marfim, do Mali e do Senegal. A bordo também há quatro mulheres e cinco crianças com entre um e seis anos - quase 100 são menores de 18 anos. Os migrantes relataram sua passagem pela Líbia, devastada pelo conflito, os abusos e maus-tratos, detenção arbitrária e até mesmo tortura. 

A embarcação havia sido embargada pelo ministro do Interior de extrema-direita Matteo Salvini, líder da Liga, conhecido por sua política dura contra a migração e cujo governo caiu esta semana. Em razão da crise, a política antimigração na Itália está atualmente em discussão e não se descarta que o fechamento dos portos para navios humanitários seja suspenso.

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