Europa admite estar dividida em relação a um ataque ao Iraque

Os 15 países da União Européia (UE) confirmaram hoje as divergências quanto a um eventual ataque contra o Iraque, disse o chefe da Comissão Executiva da UE, Romano Prodi, que descartou um possível acordo sobre o tema nos próximos meses. "É inútil esconder as divergências existentes", disse em Copenhague, onde se realiza a quarta reunião de cúpula entre a UE e os 10 países asiáticos membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).Aparentemente, Grã-Bretanha, Espanha e Itália estão mais próximas à posição dos Estados Unido, enquanto que a França está contra "qualquer tipo de ação unilateral". A Alemanha manifestou "não" a um ataque - posição que se manterá após o triunfo eleitoral da coalizão do chefe do governo alemão, Gerhard Schroeder.Prodi admitiu que os contrastes sobre o tema iraquiano confirmam "um velho problema, ou seja, o fato de que sem uma política exterior conjunta é muito difícil ter um papel de responsabilidade na política mundial, tal como deveria ter a Europa". Prodi afirmou que, durante a fala na reunião de cúpula em Copenhague, o presidente francês Jacques Chirac havia anunciado que no próximo debate do Conselho de Segurança da ONU sobre o Iraque a França terá "uma posição muito dura". Segundo Chirac, uma intervenção contra o Iraque é tarefa do "Conselho de Segurança da ONU, após o debate e os votos correspondentes".Entre os países que estão ao lado dos EUA se destaca a Itália, cujo primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, declarou em Copenhague que "a União Européia deve compreender o estado de ânimo dos EUA e, por esta razão, será necessário intervir com uma resolução muito forte" no Conselho de Segurança. Gerhard Schroeder já havia declarado que após as eleições de domingo, nas quais obteve uma apertada vitória, seu governo não tem intenção de modificar sua posição sobre o Iraque. Schroeder foi o único entre os grandes líderes europeus que tem manifestado oposição a um ataque contra o regime de Saddam Hussein.

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