Europa anuncia nova iniciativa de paz no Oriente Médio

Espanha, França e Itália anunciaram nesta quinta-feira sua adesão a um novo plano de paz para o Oriente Médio. A iniciativa é parte de um esforço europeu pelo fim de um dos mais persistentes conflitos da atualidade. O primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, anunciou a adesão de seu país à iniciativa em reunião com o presidente da França, Jacques Chirac, realizada nesta quinta-feira em Gerona, na Espanha. "A paz entre israelenses e palestinos significa, numa visão mais ampla, a paz no cenário internacional", declarou Zapatero durante entrevista coletiva concedida ao lado de Chirac. Segundo ele, a comunidade internacional não pode ficar apenas contemplando enquanto israelenses e palestinos continuam protagonizando episódios de violência. "Não podemos permanecer impassíveis em face do horror que perpetua-se diante de nossos olhos", declarou. Ele mencionou especificamente um bombardeio israelense que matou 19 civis palestinos de uma mesma família na semana passada e um disparo de foguete que provocou a morte de uma israelense esta semana. Há grandes esperanças na Europa de que os países do continente voltem a desempenhar um papel de mais destaque e influência em questões internacionais, especialmente depois das eleições da semana passada nos Estados Unidos, nas quais o Partido Republicano, do presidente George W. Bush, perdeu o controle do Congresso pela primeira vez em 12 anos. Líderes europeus esperam que o resultado eleitoral altere a atuação da diplomacia americana. Eles acreditam que Washington tenderá a buscar o consenso e a orientação de seus aliados na Europa ao invés de tentar impor sua política externa a eles. Até o momento, líderes israelenses, palestinos e americanos ainda não comentaram o anúncio da adesão da Espanha à iniciativa de paz franco-italiana. Questionado sobre se não seria necessário o apoio dos Estados Unidos e de Israel à iniciativa, Zapatero enfatizou que os três maiores colaboradores das forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Líbano estão interessados primeiramente na paz na região. "Alguém tem que dar o primeiro passo", prosseguiu. Cinco pontos A iniciativa franco-italiana tem cinco pontos: um cessar-fogo imediato; a formação de um governo de unidade nacional nos territórios palestinos que obtenha reconhecimento internacional; a realização de uma troca de prisioneiros entre o Exército israelense e os militantes palestinos; a concretização de negociações formais entre o primeiro-ministro de Israel e o presidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP); e a formação de uma missão internacional de paz para monitorar o cessar-fogo em Gaza. Em Roma, o primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, qualificou o plano como "uma série de ações com o objetivo de obter um resultado concreto em uma situação na qual o sofrimento atingiu índices intoleráveis". Chirac, por sua vez, manifestou a esperança de que a União Européia (UE), com o empenho do chefe de política externa do bloco, Javier Solana, procure "iniciar as reformas políticas necessárias" para resolver a situação no Oriente Médio. Título modificado às 19h15

Agencia Estado,

16 Novembro 2006 | 14h47

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