Europa anuncia relaxamento de restrições e começa a retomar voos

Continente sofre há cinco dias com fechamento de espaço aéreo por conta de nuvem de cinzas

Agência Estado

19 de abril de 2010 | 14h31

 

BRUXELAS - A Comissão de Transportes da União Europeia permitiu a abertura parcial do espaço aéreo sobre o continente após se reunir nesta segunda-feira, 19, para discutir soluções para a crise aérea que já dura cinco dias por conta de uma nuvem de cinzas expelida por um vulcão do sul da Islândia e prejudica as condições de voo.

  

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A previsão é de que a situação melhore após a tomada das medidas, pelas quais as companhias aéreas e os aeroportos pressionaram muito as autoridades. "A partir de da manhã de terça, deveremos ver mais aviões levantarem voo progressivamente", disse Siim Kallas, comissário de Transportes do bloco.

 

A Comissão determinou três tipos de condições para o espaço aéreo - a zona não permitida, a zona de atenção, e a zona livre. Na primeira, imediatamente sobre a nuvem de cinzas, nenhum tipo de voo é permitido. Na segunda, os aviões podem operar, mas estão sujeitos a checagem em suas turbinas após os pousos para verificar se não houve danos, enquanto a terceira área não tem restrições.

 

Menos cinzas

 

Controladores aéreos já  pressionavam pela reabertura das rotas alegando que as erupções do vulcão Eyjafjallajokull pareciam perder força. As empresas do setor de voos e viagens sofrem com a crise, que representa milhões de dólares de perdas diárias desde quinta-feira. O caos aéreo é apontado como uma ameaça à recuperação econômica na Europa.

 

Autoridades britânicas afirmaram que as restrições aos voos podem ser retiradas na terça-feira na Inglaterra e no País de Gales, permitindo voos em aeroportos de Londres, como o Heathrow. Elas informaram que a restrição seguirá em vigor até as 3 horas (horário de Brasília) da terça.

"A erupção vulcânica diminuiu e o vulcão não está mais emitindo cinzas a altitudes que irão afetar o Reino Unido. Caso não haja mais emissões de cinzas significativas, nós estamos agora prevendo uma situação de melhoria contínua", afirmou a autoridade de tráfego aéreo do Reino Unido (NATS, na sigla em inglês). Uma porta-voz da Agência de Proteção Civil da Islândia também informou que o Eyjafjallajokull ainda estava em erupção, mas com a intensidade diminuindo.

A British Airways, uma das mais atingidas, afirmou que estava perdendo entre 15 milhões e 20 milhões de libras por dia em vendas e custos com passageiros que não podem voar. A companhia informou que realizou um teste ontem, sem registrar impacto das nuvens de cinza sobre o Reino Unido. A British Airways pediu ao governo britânico que decida se é seguro voar. A companhia opinou que uma proibição total ao tráfego aéreo era "desnecessária".

Funcionários do setor aéreo continuaram criticaram duramente parlamentares da União Europeia (UE) por não reagirem mais rápido à crise. Segundo eles, autoridades estão com excessivo zelo ao tomar medidas como fechar grandes áreas sem análises detalhadas das condições atmosféricas e dos supostos riscos. Autoridades do setor de aviação e especialistas em segurança disseram estar seguindo normas das Nações Unidas e levando em conta incidentes anteriores. As partículas de cinzas poderiam causar danos nos motores dos aviões.

Os espaços aéreos sobre Bélgica, República Checa, Dinamarca, Estônia, Finlândia, Alemanha, Hungria, Irlanda, Holanda, o norte da Itália, Polônia, Romênia, Eslovênia, Suíça e partes de Ucrânia e Reino Unido ainda estão fechados.

Custo

A Associação Internacional do Transporte Aéreo estima que as companhias pelo mundo estejam perdendo cerca de US$ 250 milhões por dia por causa das restrições. Mais de 63 mil voos haviam sido cancelados até o fim do dia de ontem. Nesta segunda, apenas 30% dos voos previstos na Europa devem de fato ocorrer, segundo a Eurocontrol, organização de segurança aérea europeia. Entre 8 mil e 9 mil operações deveriam ocorrer, de um total de 28 mil previstas.

Na tarde da última quarta-feira, a Lufthansa informou ter recebido uma autorização especial de autoridades para realizar 50 pousos na Alemanha. Os aviões, vindos de Ásia, África e das Américas do Norte e do Sul, devem pousar amanhã nos aeroportos de Frankfurt, Munique e Dusseldorf, afirmou um porta-voz. No total, eles devem transportar cerca de 15 mil passageiros. As informações são da Dow Jones.

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