Europa apóia Arafat e critica Israel

Frente à crescente frustração dos Estados Unidos com Yasser Arafat, ministros do Exterior da União Européia confirmaram hoje o pleno apoio ao líder palestino, enquanto criticaram o governo israelense por danificar projetos financiados pela UE em territórios palestinos. A iniciativa de reiterar apoio ao presidente palestino ocorre em meio a temores na Europa de que o presidente norte-americano George W. Bush possa romper relações com Arafat e parar de mediar uma solução para o conflito devido à crescente irritação diante da falta de resultados do que está sendo feito para conter a violência. Num comunicado, os 15 ministros da UE reiteraram o apoio a Arafat, considerando-o um parceiro na busca da paz. "Israel precisa da Autoridade Palestina e seu presidente eleito, Yasser Arafat, como um parceiro com quem negociar, tanto a fim de erradicar o terrorismo como para trabalhar rumo à paz" afirmaram. "A capacidade deles de combater o terrorismo não deve ser enfraquecida". A UE exortou Israel a não enfraquecer ainda mais Arafat e exortou o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, a retirar suas tropas, pôr fim às "execuções extrajudiciais" e suspender restrições à liberdade de movimento dos palestinos. Pedidos semelhantes foram feitos a Arafat, para "fazer tudo para desmantelar todas as redes terroristas e prender e julgar os perpetradores de atos terroristas". Os ministros da UE acrescentaram que estavam "seriamente preocupados" com a destruição por parte de Israel da infra-estrutura e de prédios nos territórios palestinos, muitos dos quais construídos com fundos da UE. Os ministros pediram a Israel que interrompa os bombardeios à infra-estrutura e advertiram que se reservam "o direito de exigir reparação". Os israelenses argumentam que têm alvejado as instalações por razões de segurança. O ministro do Exterior espanhol, Josep Pique, cujo país está na presidência rotativa da UE, enviará nos próximos dias uma carta a seu colega israelense com as reclamações. Autoridades da UE insistem que a ajuda visa ajudar Arafat a estabelecer uma administração funcional e promover desenvolvimento econômico na Faixa de Gaza e Cisjordânia. A UE já destinou cerca de US$ 1,2 bilhão em ajuda aos palestinos nos últimos oito anos. Autoridades européias disseram que o apoio a Arafat em meio a ações em Washington para marginalizar o líder palestino visa evitar mais banho de sangue e manterem vivas as esperanças de paz. "Estou muito preocupada com essa discussão americana", afirmou a ministra do Exterior sueca, Anna Lindh. "Isso é pura loucura, vai diretamente contra todo o processo de paz e poderia levar a uma guerra total no Oriente Médio". Javier Solana, o mais alto representante de política exterior e de segurança da UE, deverá viajar nesta terça-feira a Washington para discutir com autoridades norte-americanas, entre elas o vice-presidente Dick Cheney, a situação no Oriente Médio.

Agencia Estado,

28 Janeiro 2002 | 17h19

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