FREDERICK FLORIN / AFP
FREDERICK FLORIN / AFP

Europa continua reabertura, enquanto América Latina vê número da casos disparar

Áustria e Alemanha já anunciaram que planejam restabelecer a livre-circulação a partir de 15 de junho na fronteira comum

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2020 | 10h54

A Europa continua a avançar, nesta quarta-feira,  13, em seu progressivo e cauteloso desconfinamento, diante da pandemia de coronavírus, que já deixou mais de 292.000 mortes em todo mundo, enquanto América Latina e Caribe excederam 400.000 casos nas últimas horas.

A Comissão Europeia apresenta nesta quarta suas recomendações para uma reabertura "gradual" e "sem discriminação" das fronteiras internas da União Europeia (UE) e para o turismo com segurança, uma iniciativa que visa a salvar a lucrativa estação do verão.

"Não será um verão normal, mas se todos fizerem sua parte, não teremos que enfrentar um verão preso em casa, ou totalmente perdido para a indústria do turismo", disse a vice-presidente da Comissão Europeia, Margrethe Vestager.

No plano previsto por Bruxelas, a primeira fase seria a atual, marcada pelo fechamento das fronteiras para viagens "não essenciais". Na segunda, a Comissão propõe levantar restrições entre países e regiões com uma situação de saúde semelhante e melhorando.

A fase final levaria ao levantamento de todos os controles de fronteira no espaço europeu de livre-circulação de Schengen, para o qual Bruxelas pede aos países que levem em conta critérios sociais e econômicos, bem como sanitários.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) já alertou que a "dependência" do turismo, que representa mais de 10% do PIB da UE e quase 12% do emprego, vai acentuar o impacto econômico do coronavírus nas economias da Espanha, Itália e Grécia.

Áustria e Alemanha já anunciaram que planejam restabelecer a livre-circulação a partir de 15 de junho na fronteira comum, fechada desde meados de março.

A Alemanha observou que, a partir dessa data, planeja reabrir todas as suas fronteiras.

Outras restrições foram levantadas na França e na Espanha, depois de semanas de confinamento que deixaram a população exausta, e suas economias, paralisadas.

Uma parte das crianças francesas conseguiu voltar às aulas, e algumas praias vão reabrir no próximo fim de semana para caminhadas, ou para a prática de esportes.

Na Espanha, muitas pessoas ficaram felizes por poderem voltar aos bares, com rigorosas medidas de higiene e de distanciamento social.

Na terça-feira (12), as autoridades espanholas decidiram que as pessoas que chegam do exterior terão de passar por uma quarentena de 14 dias.

Advertência nos Estados Unidos

Diante de uma catástrofe de saúde global que deixou mais de 292.000 mortos e infectou mais de 4,2 milhões de pessoas, todos os países tentam encontrar um equilíbrio entre as medidas sanitárias e o renascimento da economia, afetada por uma crise sem precedentes.

Nesse sentido, o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) prevê um impacto "maciço" do coronavírus nas economias da Europa Central e Oriental, com uma queda de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020.

O chefe imunologista da Casa Branca, dr. Anthony Fauci, emitiu um alerta na terça-feira contra as possíveis consequências "muito graves" de uma retomada da atividade econômica prematura nos Estados Unidos, o país mais atingido pela COVID-19, com mais de 82.000 mortos.

O saldo diário voltou a subir nos Estados Unidos na terça-feira, com quase 1.900 óbitos em 24 horas.

As autoridades de saúde de Los Angeles, a segunda maior cidade do país, disseram que as medidas de confinamento provavelmente permanecerão em vigor até o final de julho, a menos que haja uma "grande mudança".

A própria Casa Branca é afetada pela pandemia: o vice-presidente Mike Pence decidiu se afastar por "alguns dias" do presidente Donald Trump, depois que um de seus colaboradores deu positivo para o coronavírus.

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Alerta na América Latina

O Brasil é o país mais atingido na América Latina e Caribe, que nesta quarta-feira superou os 400.000 casos confirmados.

O segundo país com mais casos na América Latina é o Peru (mais de 72.000 infecções e mais de 2.000 mortes), seguido pelo México, o terceiro país com mais casos (38.324), mas o segundo com mais óbitos (3.926).

O Conselho Geral de Saúde do México decidiu levantar progressivamente o confinamento, autorizando atividades como construção, mineração e fabricação de equipamentos de transporte.

Na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro estendeu por um mês o "estado de emergência", até 12 de junho.

Apesar do atual confinamento, o fluxo de pessoas nas ruas de Caracas e em outras cidades aumentou nos últimos dias, já que milhões de venezuelanos precisam sair para encontrar trabalho e meios de subsistência, em meio à profunda crise econômica que castiga o país.

- Rússia, segundo país com mais contaminações -

Segundo dados compilados pela AFP, a Rússia se tornou o segundo país do mundo com mais contaminação (mais de 232.000) na terça-feira. 

Apesar disso, o presidente Vladimir Putin também aprovou a saída do confinamento, dependendo da situação epidemiológica em cada região.

Já Moscou, principal foco da epidemia com 121.301 casos, estendeu seu confinamento até 13 de maio.

Nesta quarta-feira, as autoridades russas suspenderam o uso de um modelo de respirador que pode estar relacionado a dois incêndios registrados em hospitais com pacientes com coronavírus.

Mortes inexplicadas na Nigéria

Sinal do lento retorno à normalidade, o campeonato de futebol alemão será retomado neste sábado. No Reino Unido, na Espanha e na Itália, isso deve acontecer em breve.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertou, nesta quarta, que o combate ao coronavírus interrompe a cobertura de saúde e pode ter efeitos devastadores nos países pobres e matar 6.000 crianças por dia nos próximos seis meses.

Até agora, a África esteve relativamente a salvo da pandemia, que oficialmente deixou menos de 2.500 mortos no continente.

Mas as pistas de que este é um número altamente subestimado estão se multiplicando.

Na Nigéria, o aumento acentuado de mortes inexplicáveis no norte do país, o mais populoso da África, suscita temores de uma disseminação significativa do coronavírus nessa região, uma das mais pobres do mundo.

No último mês, a cidade de Kano, com quase 10 milhões de habitantes e oficialmente com apenas 32 mortos pela COVID-19, foi palco de centenas de mortes, principalmente entre idosos.

A princípio, as autoridades atribuíram a mortalidade a doenças como diabetes, hipertensão e malária, mas os resultados de uma missão oficial concluíram que muitos óbitos estavam relacionados ao coronavírus. /AFP e REUTERS

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