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Europa criará centros de acolhimento de imigrantes no sul da Grécia e da Itália

Depois os ilegais serão distribuídos entre os membros da comunidade europeia

Jamil Chade, CORRESPONDENTE, GENEBRA, O Estado de S. Paulo

26 de agosto de 2015 | 19h19

A política de imigração da Europa fracassou e não será com a construção de muros ou expulsando pessoas que a questão dos refugiados será resolvida. O alerta é da ONU que, diante de um fluxo recorde de estrangeiros rumo à Europa, pediu o estabelecimento de medidas concretas de solidariedade.

Ontem, a União Europeia anunciou que vai criar centros de acolhida em países do sul do continente, de onde os imigrantes e refugiados seriam repartidos pela Europa. O anúncio foi feito em meio a uma crise em diversas partes do continente e choques entre as forças de segurança e os imigrantes.

“O sistema de asilo hoje na Europa não funciona e cada país precisa assumir sua responsabilidade”, declarou ontem Antonio Guterres, alto-comissário da ONU para refugiados. ele pediu aos líderes europeus que adotem logo medidas para amenizar a crise.

O ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, anunciou ontem a ideia de estabelecer centros de acolhida no sul da Itália e da Grécia. Gregos e italianos têm criticado os outros governos europeus por ignorar o problema. Por uma questão geográfica, a Grécia e a Itália são os que mais recebem refugiados pelo mar.

Mas, questionado pelo Estado se a França aceitaria criar um centro de acolhida em seu território, o ministro deixou claro que a medida será limitada à Grécia e à Itália. Indagado pelo Estado sobre o fato de a França ter concedido apenas 5 mil postos de asilo, diante das mais de 290 mil pessoas que chegaram ao continente somente este ano, o chanceler indicou que Paris “está fazendo sua parte”. Cazeneuve preferiu criticar os países que rejeitam receber refugiados ou, como no caso da Hungria, estão construindo um muro para impedir a entrada de estrangeiros. A barreira entre o território húngaro e a Sérvia terá 175 km e 110 km estão prontos.

Confrontos voltaram a ser registrados ontem. Na fronteira entre a Hungria e a Sérvia, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar centenas de pessoas que rejeitavam ter suas digitais colhidas na cidade de Roszke.

O governo de Budapeste também anunciou o envio de mais de 2 mil policiais extras para a região e indicou que poderá usar o Exército nas fronteiras. O governo da Bulgária também mandará tropas.

Nils Muiznieks, Comissário de Direitos Humanos do Conselho da Europa, criticou a iniciativa dos governos de Hungria e Bulgária. "A militarização das fronteiras é a resposta errada à imigração", disse. Cazeneuve, em Genebra, evitou criticar a iniciativa, lembrando que a França também enviou militares para a região de Calais. 

Numa tentativa de mostrar liderança contra grupos que resistem à entrada de estrangeiros no continente, a chanceler alemã, Angela Merkel, decidiu ontem visitar um local de acolhida de refugiados que havia sido alvo de um ataque, perto de Dresden. Mas grupos de extrema-direita conseguiram se aproximar da chanceler e a qualificaram de “traidora do povo”.


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