Europa e EUA ampliam sanções à Rússia, que busca apoio no Brasil

Presidente russo, Vladimir Putin, participa em Brasília da primeira aproximação oficial entre os Brics e a Unasul

Andrei Netto, Claudia Trevisan, CORRESPONDENTES / PARIS, WASHINGTON

16 de julho de 2014 | 19h12

Atualizado às 20 horas

EUA e União Europeia lançaram nesta quarta-feira, 16, uma nova rodada de sanções políticas e econômicas contra a Rússia. Bruxelas e Washington consideram que o governo de Vladimir Putin não se esforçou para evitar a entrada de milicianos russos que desestabilizam o leste da Ucrânia, onde movimentos separatistas reivindicam independência. A sanções chegam enquanto Putin busca no Brasil apoio dos grupos Brics e Unasul.

Em movimento coordenado com Bruxelas, Washington anunciou medidas que visam empresas dos setores de energia e finanças, como a petrolífera Rosneft, a produtora de gás Novatek e os bancos Gazprombank e Vnesheconombank. Também atingem a Kalashnikov, fabricante dos rifles que se tornaram símbolo da indústria bélica russa. 

De acordo com o jornal The New York Times, a nova rodada de sanções foi discutida entre o presidente americano, Barack Obama, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, em um telefonema na terça-feira – quando os escândalos de espionagem dos EUA na Alemanha também foram discutidos.

Obama disse ontem que as novas sanções contra a Rússia foram adotadas em razão da continuidade do que chamou de “provocações” de Moscou, em especial o apoio a separatistas que atuam no Leste da Ucrânia. “Temos de ver ações concretas e não apenas palavras.”

Segundo Obama, a Rússia “falhou” em responder às exigências dos EUA para evitar a ampliação de sanções econômicas. Washington defende a suspensão do envio de armas da Rússia a grupos que se opõem ao governo ucraniano, a libertação de reféns mantidos por separatistas, a aceitação de mediação internacional para o conflito e a presença de observadores independentes na fronteira entre os dois países. Com as sanções, grandes companhias de energia e bancos russos estarão impedidos de obter financiamento no mercado americano. Washington também adotou medidas contra pequenas empresas de defesa. Segundo ele, as sanções são “direcionadas” e foram desenhadas para atingir a Rússia e limitar o impacto sobre a economia americana e de seus aliados. 

Europa. Entre as medidas previstas pela União Europeia, estão o congelamento dos programas do Banco Europeu de Investimentos (BEI) e do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (Berd) na Rússia. Mais membros do governo e das relações de Putin devem ser incluídos na lista de personalidades políticas e empresariais atingidas por bloqueios de bens e de contas bancárias no exterior. 

Com consonância com Obama, a UE também reclamou que o Kremlin não trabalha para promover o diálogo entre os separatistas e o governo de Kiev. Os milicianos que atuam na região de Donbass – onde se situa Donetsk, no leste ucraniano, próximo à fronteira com a Rússia – também seriam o principal en trave para a adoção de um cessar-fogo no país.

À noite, ao chegar à cúpula da UE, Angela Merkel foi dura. “Pouca coisa mudou desde a visita de Petro Poroshenko (presidente ucraniano) a Bruxelas: os prisioneiros não foram libertados, a segurança das fronteiras do país não está garantida e o grupo de contato é ineficaz”, reclamou, referindo-se ao conselho diplomático formado por Rússia, Ucrânia e a Organização para a Cooperação e a Segurança na Europa (OSCE).

De acordo com o ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, que acompanhava o presidente François Hollande, as novas sanções europeias são um endurecimento, mas ainda não se trata do “nível 3” de represálias, que teriam maior impacto econômico. 

As medidas adotadas por Washington e Bruxelas já levariam em conta a escalada de tensão no leste da Ucrânia. Na sexta-feira, um avião militar An-26 foi derrubado a 6,2 mil metros de altitude.

 

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