Europa e EUA discutem fornecer armas à Ucrânia contra rebeldes

Pedido foi feito a Bruxelas no dia 28 pelo governo de Kiev, preocupado com a suposta iminência de uma ofensiva de milícias

Andrei Netto , CORRESPONDENTE / PARIS

01 de setembro de 2014 | 19h43


PARIS - Diante do risco crescente de uma ação russa no leste e sudeste da Ucrânia, a União Europeia e Estados Unidos estão discutindo a possibilidade de armar o Exército de Kiev em seu combate contra os separatistas nas regiões de Donetsk, Lugansk e Mariupol. Sem admitir em público a intenção, o novo presidente do Conselho Europeu, o polonês Donald Tusk, afirmou ontem que a Europa deve parar "os agressores" "enquanto há tempo". No domingo, parlamentares americanos defenderam em Washington o fornecimento de armas a Kiev.

A discussão nos bastidores políticos leva em consideração o pedido feito pelo governo de Petro Porochenko em 28 de agosto. Na oportunidade, Kiev pediu que os chefes de Estado e de governo dos países que integram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) que analisem a possibilidade de ingresso da Ucrânia na aliança militar. O parlamento do país deve inclusive derrubar nessa semana o dispositivo legal que impede que o governo avance em negociações para adesão ao grupo.

Além disso, diante da urgência da situação, o embaixador ucraniano na UE solicitou "ajuda humanitária de envergadura" a Bruxelas, única forma de enfrentar o que chamou de "invasão russa não dissimulada".

A resposta oficial até aqui é de que a União Europeia adotará novas sanções dentro de sete dias se Moscou não retirar seu apoio militar aos separatistas. Mas, ontem, Donald Tusk, primeiro-ministro da Polônia já eleito futuro presidente do Conselho Europeu, exortou a comunidade internacional a agir para evitar a invasão da Ucrânia. "Ainda há tempo para parar aqueles que pela violência, pela força e pela agressão se tornam mais uma vez o arsenal de uma ação política", disse Tusk.

"É preciso refletir em conjunto sobre uma nova política que terá por objetivo principal a segurança a eficiência de nossa comunidade ocidental face à ameaça de uma guerra, não apenas no leste da Ucrânia", advertiu o polonês, que falava em uma cerimônia de homenagem aos 75 anos do início da 2.ª Guerra Mundial, em Gdansk.

Nos bastidores diplomáticos da Europa, a eleição de Tusk para presidente do Conselho Europeu, é sinal da preocupação causada pelo conflito entre Ucrânia e Rússia. Político conservador, o polonês sempre denunciou "a ameaça" de Moscou aos países do leste.

Assim como em Bruxelas, em Washington também cresce a pressão para que a administração de Barack Obama preste apoio efetivo ao Exército ucraniano em sua tentativa de recuperar o controle de Donetsk e Lugansk. No domingo, o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o democrata Robert Menendez, defendeu que os EUA e a Otan forneçam armas a Kiev. 

"Não se trata mais de rebeldes separatistas combatendo no leste da Ucrânia, mas de uma invasão russa direta com milhares de soldados, mísseis e tanques", argumentou à rede CNN. "Creio que a União Europeia, a OTAN e os EUA devem considerar que a situação é radicalmente diferente e que nós devemos dar aos ucranianos a possibilidade de combater e de se defender."

Outro senador, o republicano John McCain, também defendeu o armamento da Ucrânia. "Dê-lhes as armas de que necessitam, dê-lhes os meios de que necessitam, dê-lhes a capacidade de lutar. Eles vão lutar", defendeu em entrevista à CBS.

A preocupação na Europa e nos EUA é com o avanço dos separatistas, que assumiram o controle da cidade costeira de Novoazovsk, próximo à fronteira com a Ucrânia, e estão agora a 40 quilômetros de Mariupol, porto estratégico do sudeste do país.

 

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