Europa e EUA estudam envolver Otan na crise líbia

Potências debatem a imposição pela aliança de uma zona de exclusão aérea; Itália suspende pacto de não agressão

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2011 | 00h00

Governos europeus e os EUA tentarão mobilizar hoje aliados em Genebra para acelerar a queda de Muamar Kadafi e definir os próximos passos em relação à crise na Líbia. Washington e Bruxelas anunciaram a intenção de ir além da resolução aprovada no Conselho de Segurança da ONU no fim de semana e trabalham com a possibilidade de que a Otan seja acionada, aplicando uma zona de exclusão aérea no país. Ontem, a Itália suspendeu seu acordo de não agressão com Trípoli, o que permite o uso de suas bases no sul do país.

Pela primeira vez desde a eclosão da crise, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, e outros ministros discutem hoje em Genebra como frear os confrontos na Líbia. "É muito cedo ainda para dizer como isso tudo acabará", declarou Hillary antes de embarcar para a Suíça. O Brasil não enviou seu chanceler. A representante será a ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, que não se encontrará com os líderes para debater a situação.

A secretária de Estado e Ashton discutirão a questão militar e ainda decidirão como encaminhar a denúncia contra Kadafi ao Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes contra humanidade. Questionado sobre uma possível ação militar, Ashton disse que "todas as opções estão sobre a mesa". O chefe da diplomacia britânica, William Hague, deu declaração semelhante.

Aliança atlântica. Na sexta-feira, a cúpula militar da Otan promoveu uma reunião de emergência em Bruxelas. Segundo o Estado apurou, o encontro serviu para que uma avaliação militar da crise fosse realizada, assim como um levantamento das forças da aliança com melhor acesso ao Norte da África.

As potências da aliança atlântica não falam em intervenções militares e o secretário-geral da Otan, o dinamarquês Anders Fogh Rasmussen, descartou na semana passada a possibilidade de intervir na Líbia. Rasmussen, porém, garantiu que a aliança militar "continuará a monitorar a situação" e convocará consultas para "estar preparada para qualquer eventualidade".

Roma suspendeu ontem seu acordo de não agressão com a Líbia, de 2008, o que na prática permite o uso de bases no sul da Itália para eventuais ações militares ou para que a zona de exclusão aérea seja monitorada.

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