Stephanie Lacocq/EFE
Stephanie Lacocq/EFE

Europa entra em estado de alerta para noite de ano-novo

Paris, Londres e Berlim montam esquema de segurança, Moscou fecha a Praça Vermelha e Bruxelas cancela festa

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S. Paulo

30 de dezembro de 2015 | 22h15

GENEBRA - Diante do temor de um ataque terrorista, capitais europeias cancelaram as festas de ano-novo, colocaram soldados nas ruas e fecharam praças. Na quarta-feira 30, o governo belga anunciou que a tradicional queima de fogos de artifício em Bruxelas, na noite desta quinta-feira, 31, não seria realizada. 

O primeiro-ministro, Charles Michel, confirmou que a suspensão estava ligada às ameaças terroristas. Em 2014, 100 mil pessoas foram até o centro de Bruxelas acompanhar os fogos. Agora, porém, segundo informações de inteligência, toda a Europa poderia ser alvo de um atentado nos dias entre o Natal e réveillon. 

Há dois dias, a polícia belga havia prendido duas pessoas, sob a suspeita de estarem planejando um atentado na noite de ano-novo. Os detidos faziam parte de um grupo chamado de Kamikaze Riders – criado em 2003 – que estaria planejando um ataque contra a Grand Place, no centro de Bruxelas. 

O advogado de um dos detidos, Mohamed Karay, garantiu que não havia motivos para a prisão. Os suspeitos usariam motos para chegar ao local. Pedidos de prisão também foram emitidos para membros do grupo extremista Sharia4Belgium. 

Na quarta-feira, mais um suspeito foi preso em Molenbeek, perto de Bruxelas, local considerado como o ponto de partida dos autores dos ataques em Paris. Durante a noite de 13 de novembro, diversas ligações foram feitas pelos terroristas para um celular de Molenbeek. 

Na França, as comemorações também serão modificadas e 60 mil policiais e soldados estarão nas ruas das principais cidades do país. Em Paris, a festa foi mantida, apesar de terem cogitado o cancelamento. O tempo de duração, porém, foi reduzido. Em 2014, 600 mil pessoas foram ao centro da cidade acompanhar a passagem do ano.

Na Turquia, o governo anunciou na quarta-feira a prisão de suspeitos de planejar um atentado também na noite de ano-novo em Ancara. Os dois detidos teriam ligações com o Estado Islâmico e o atentado poderia ocorrer na Praça Kizilay, tradicional local para acompanhar o réveillon. As prisões ocorreram em um bairro pobre da capital. 

Em Berlim, a região do Portão de Brandenburgo está fechada há dias. Para quem for ao local na noite desta quinta, a polícia informa que malas, mochilas, garrafas, carrinhos de bebês e dezenas de outros itens estão proibidos. Em Augsburg, também na Alemanha, os fogos foram cancelados, mas o motivo foi o de não causar traumas aos refugiados que deixaram a Síria por conta das bombas. 

Na Holanda, os policiais foram instruídos a verificar bicicletas com lugares para crianças. Em Moscou, a Praça Vermelha estará fechada. Oficialmente, o local foi selado por conta da gravação de um programa da TV estatal russa. 

Em Londres, 6,6 mil policiais estarão operando no centro para garantir a segurança das pessoas que queiram acompanhar os fogos de artifício. No entanto, apenas pessoas com entradas poderão ter acesso ao local e um limite de 110 mil ingressos foram distribuídos. Todos, porém, estarão sujeitos a terem suas bolsas revistadas. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.