Europa espera reaquecimento de relações com EUA

Em crise econômica, UE se sente relegada pelo governo Obama; 80% dos europeus teriam votado no democrata

PARIS, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2012 | 02h06

Se pudessem ter votado nas eleições presidenciais nos EUA, 80% dos europeus teriam apoiado a reeleição de Barack Obama. Mas isso não significa que os líderes políticos da União Europeia estejam satisfeitos com a atenção que receberam de Washington nos últimos quatro anos. Desde ontem, voltou a crescer em Berlim, Paris e Bruxelas a expectativa de que o bloco receba a mesma atenção concedida à Ásia.

As manifestações de insatisfação foram ouvidas nos últimos dias nos bastidores dos principais governos da Europa. Em Paris, a expectativa é que Obama acentue a pressão sobre a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, para que a UE flexibilize a aposta na austeridade fiscal para combater a crise da zona do euro. Entre os líderes europeus, o presidente da França, François Hollande, foi um dos primeiros a comemorar a reeleição, no início da manhã de ontem. Depois de apresentar "as mais calorosas felicitações", o socialista elogiou a escolha feita "por uma América aberta, solidária". Horas mais tarde, Hollande afirmou: "Trabalhei seis meses com Obama, conheço suas prioridades e elas coincidem com as nossas".

Em Berlim e Londres, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, também ressaltaram o desejo de uma "cooperação contra a crise financeira", segundo as palavras da líder alemã.

A mesma ênfase em economia foi usada pelo presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e pelo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, que expressaram em nota o desejo de aproximação entre os dois lados do Atlântico, "em especial em matéria de segurança e de economia".

A preocupação em reforçar a cooperação leva em consideração o sentimento dos líderes europeus de que a Europa foi relegada no primeiro governo de Obama em favor da Ásia. Ontem, o discurso da vitória de 21 minutos feito pelo presidente não fez nenhuma referência à Europa, o que feriu suscetibilidades.

Para o premiê de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, a tendência é a de que a colaboração melhore na nova administração, pois "Obama está menos soterrado de assuntos nacionais".

Por outro lado, há o temor em Berlim de que Obama intensifique a pressão por medidas de estímulo fiscal à economia do bloco, iniciativa contra a qual Merkel vem lutando no interior da UE. Para Vincent Michelot, historiador do Instituto de Estudos Políticos (Sciences-Po) de Lyon e especialista em EUA,

Obama terá mais liberdade neste mandato para impor suas ideias: "Para a política europeia e o mundo árabe, o presidente Obama será mais favorável à integração europeia e ao processo de paz no Oriente Médio". / A.N.

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