REUTERS/Michaela Rehle
REUTERS/Michaela Rehle

Europa inicia o ano tentando evitar novos ataques terroristas

Munique fecha estações de trem em alerta e França revive tensão após homem tentar atropelar seguranças

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S. Paulo

01 Janeiro 2016 | 20h01

GENEBRA - A Europa começa 2016 sob a ameaça terrorista, mas com a constatação de que o inimigo é evasivo e nem sempre pode ser encontrado. Faltando poucos minutos para a virada do ano, em Munique, um tuíte da polícia local alertava sobre um “ataque iminente” durante as comemorações. Nesta sexta-feira, 1.º, na cidade francesa de Valence, um carro avançou sobre soldados que faziam a segurança de uma mesquita, resultando em um tiroteio. 

Em várias partes da Europa, fogos de artifício foram cancelados e praças foram fechadas. Milhares de soldados e policiais foram às ruas. Em Paris, a Champs-Élysées registrou um número inferior de participantes na festa de ano-novo e, para este fim de semana, os hotéis da capital estão com uma taxa de ocupação 40% abaixo em comparação ao mesmo período do ano passado. 

As operações têm demonstrado a dificuldade na luta contra o terrorismo. Nesta sexta, Bruxelas anunciou ter libertado três pessoas que haviam sido presas dias antes, sob suspeita de planejarem um atentado terrorista no ano-novo. 

Terror. Em Munique, a ameaça foi considerada “concreta”. Duas estações de trem foram esvaziadas, o sistema de transporte fortemente afetado e soldados armados foram distribuídos pela cidade. “Por favor, evitem aglomerações e as estações de trem de Munique e Pasing”, alertou a polícia local.

 

A iniciativa foi tomada depois que os alemães receberam informações do serviço de inteligência da França, descrevendo o risco de ataque de cinco a sete militantes do Estado Islâmico da Síria e do Iraque.

Nesta sexta, porém, a polícia não conseguiu prender nenhum suspeito. O ministro do Interior da Baviera, Joachim Herrmann, admitiu que não existiam mais indicações concretas de atentado, mas alertou que a ameaça geral de terrorismo na Europa permanece elevada.

O chefe da polícia, Hubertus Andra, foi questionado sobre se o alerta havia sido precipitado. “Se os alertas são tão concretos, temos de agir”, respondeu. Andra, porém, foi obrigado a reconhecer que sequer sabia se os nomes dos suspeitos eram verdadeiros.

Fontes do serviço de inteligência de um país europeu ouvidas pelo Estado, porém, admitem que as incertezas durante as festas de fim de ano e os resultados das operações refletem a nova realidade da Europa. “Lutamos muitas vezes contra um inimigo invisível, que se esconde, se mescla com a população local e só aparece quando pode ser tarde demais”, explicou. 

Nesta sexta, a França viveu nova tensão. Um homem conduziu seu carro deliberadamente em direção a quatro soldados que vigiavam uma mesquita em Valence. O motorista ficou ferido e foi detido após um tiroteio. O suspeito não corre risco de vida e deve ser questionado sobre os motivos da ofensiva. 

De acordo com o líder da mesquita de Valence, Abdallah Dliouah, o condutor era de origem árabe, mas não proferiu qualquer tipo de mensagens jihadistas ao avançar sobre os militares. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.