Europa lamenta morte de Milosevic antes dele ser julgado

Líderes dos Balcãs lamentam que o ex-presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, tenha morrido sem ter sido julgado e condenado pelos seus crimes e a Europa pede que o fato seja considerado como uma oportunidade para que a região supere seu passado e que os demais autores de crimes sejam entregues ao Tribunal. No total, o sérvio respondia por cerca de 60 crimes. A morte do sérvio ainda poderá criar uma polêmica na Corte Internacional em Haia para tratar do tema, já que o tribunal negou autorização para que Milosevic fosse tratado em Moscou há um mês. "É uma pena que Milosevic não tenha vivido para passar por seu julgamento e que não tenha tido a sentença que merecia", afirmou Stjepan Mesic, presidente da Croácia. No Kosovo, última guerra promovida por Milosevic, vários políticos também gostariam de ter visto uma condenação do sérvio. Infelizmente, Milosevic não encarou a Justiça pelos crimes que cometeu no Kosovo", afirmou Lufi Haziri, vice-primeiro ministro do Kosovo. Já a União Européia alertou que a morte do ex-presidente não absolve a Sérvia de entregar outros acusados de crimes durante os anos 90. A UE, acusada de imobilismo enquanto a região entrava em guerra na década de 90, pede que o fato seja encarado como uma necessidade de que os Balcãs encarem seu passado e pensem no futuro. "Espero que esse fato ajude os sérvios a olhar definitivamente para o futuro", afirmou Javier Solana, chefe da diplomacia européia. A Áustria, que ocupa a presidência da UE e que faz fronteira com os balcãs, tentou garantir que a morte de Milosevic não afetará os processos no tribunal de Haia envolvendo outros acusados. "Isso não muda a necessidade de a região resolver seu passado, com o legado do qual Milosevic fez parte", afirmou Ursula Plassnik, ministra das Relações Exteriores da Áustria. Paddy Ashdown, ex-representante da UE na Bósnia, alerta que a morte do líder pode gerar certa instabilidade na região por algum tempo, já que simpatizantes de Milosevic podem querer mostrar que ainda existem.

Agencia Estado,

11 Março 2006 | 13h53

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