REUTERS/Elias Marcou
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Europa oferece 2 mil euros para imigrantes que deixarem ilhas gregas

Centros de acolhimento têm mais de 36 mil pessoas, mas foram projetados para 5.400

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2020 | 14h06

GRÉCIA - Imigrantes que estão vivendo nas ilhas da Grécia receberam ofertas de até 2 mil euros (R$ 10.800) para deixarem o país voluntariamente, informou nesta quinta-feira, 12, o jornal The Guardian. A medida integra um programa organizado pela União Europeia para tentar aliviar a crise migratória após o agravamento da guerra na Síria, de onde os refugiados têm ido para a Turquia e, depois, para a fronteira grega.

Esse valor supera em até cinco vezes a quantidade oferecida como ajuda para os refugiados reconstruírem suas vidas no país de origem em programas similares da Organização Internacional de Migração (IOM). A oferta deve durar um mês e não se aplicará a refugiados que não tenham um local fixo para retornar.

A comissária de assuntos internos da UE, Ylva Johansson, afirmou que o novo esquema seria uma "janela de oportunidade para um grupo alvo". Ela afirmou que a Organização Internacional de Migração organizará o trabalho com a Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas (Frontex). 

"Os refugiados não retornam, não podem retornar, mas os imigrantes econômicos que talvez saibam que não receberão uma decisão positiva de asilo podem estar interessados ​​em fazer isso", disse ela. Segundo Johansson, a medida pode aliviar a pressão nos campos onde os refugiados estão sendo recebidos no país. 

Em fevereiro, mais de 36 mil requerentes de asilo estavam em centros de acolhimento em cinco ilhas regras, cuja capacidade original era para apenas 5.400 pessoas. 

Expectativa

A comissão espera que 5 mil pessoas aceitem a proposta. Não há dados sobre quantas pessoas nas ilhas gregas são migrantes econômicos e não refugiados. De acordo com o jornal The Guardian, 18.151 pessoas optaram por deixar a Grécia em um programa de retornos voluntários financiados pela UE e administrado pela IOM - desses, 3.927 estavam nas ilhas gregas. 

A guerra na Síria começou em 2011 e, desde então, milhões de sírios encontraram segurança em outros países - ou em Idlib, a província usada como refúgio daqueles que não tinham mais para onde ir. Com o agravamento do conflito, mais de 900 mil pessoas foram obrigadas a deixarem suas casas. O caminho natural é a Turquia, que decidiu abrir as fronteiras para a Europa para pressionar a União Europeia a apoiar sua ofensiva contra as forças de Bashar Assad no norte da Síria. 

A quantidade de dinheiro extra para os gregos vem da ajuda emergencial de 700 milhões de euros prometida pela União Europeia no início do mês para lidar com a crise. 

O The Guardian relata ainda que a União Europeia pretende tentar convencer mais governos a acolher refugiados. Croácia, Irlanda, Finlândia, França, Alemanha, Luxemburgo e Portugal aceitaram receber menores não acompanhados dos país - 1.600 crianças foram enviadas para esses países. 

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