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Europa planeja tribunal especial para seus jihadistas

Objetivo é evitar execuções e julgar no continente cidadãos de países europeus que tenham se aliado ao Estado Islâmico

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2019 | 20h42

COPENHAGEN - A execução de jihadistas europeus no Iraque – um dilema para países que rejeitam a pena de morte, mas não querem a volta de radicais em seu território – levou a União Europeia a projetar a criação de um tribunal especial para lidar com esses casos.

O objetivo da corte internacional é julgar cidadãos de países do continente que tenham se aliado ao Estado Islâmico (EI) nos últimos anos, atuando na Síria e no Iraque. Representantes de Áustria, Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Reino Unido, Holanda, Noruega, Suécia e Suíça compõem o grupo de 11 países que se reuniu nesta segunda-feira, 3, em Copenhagen para apoiar a iniciativa, em conjunto com integrantes da ONU.

O encontro ocorreu no dia em que o Iraque condenou outros dois jihadistas franceses ao enforcamento. Desde o dia 26, 11 franceses aliados ao EI e capturados em território iraquiano foram condenados à morte. Um tunisiano também recebeu a sentença. Os acusados têm 30 dias para apelar das decisões.

O ministro do Interior sueco, Mikael Damberg, reforçou nesta segunda “o grande e crescente interesse” internacional na iniciativa, que inclui a Comissão de Assuntos Exteriores do Parlamento Europeu. O representante sueco alegou na reunião que os julgamentos, mesmo sendo comandados por autoridades europeias, seriam feitos nos países em que os crimes foram cometidos. A justificativa é facilitar o acesso a provas e testemunhas, além de permitir o julgamento de crimes de guerra cometidos por outras partes. Paris já havia tornado pública a intenção na semana anterior.

No domingo, o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Yves Le Drian, afirmou que o país é contra a pena de morte e diz isso claramente. Entretanto, na semana anterior, o chanceler declarou que “os julgamentos são justos”.

Apesar da sentença, mais de 500 estrangeiros do EI também condenados pela corte iraquiana ainda não foram executados. Em 2018, 52 pessoas foram enforcadas no país, de um total de 271 condenações, segundo a Anistia Internacional. Entre os europeus, dois belgas também foram condenados, além de um alemão, que teve a pena revertida em prisão perpétua.

A criação do tribunal internacional está em sintonia com a intenção dos países europeus em não receber de volta seus dissidentes. / EFE e AFP

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