Orietta Scardino/ANSA via AP
Orietta Scardino/ANSA via AP

Europa propõe postos de triagem para refugiados na África

Objetivo é impedir as travessias arriscadas pelo Mediterrâneo e melhorar condições de acolhimento de novos imigrantes

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

28 Agosto 2017 | 19h40

A Europa propôs nesta segunda-feira aos três países da África mais afetados pelo fluxo de imigração, Chade, Níger e Líbia, a criação de centros de triagem para candidatos a refugiados. A iniciativa é uma forma de impedir as travessias pelo Mar Mediterrâneo, hoje a mais perigosa rota migratória do mundo.

A proposta foi feita em uma reunião de cúpula organizada pelo presidente da França, Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu, em Paris, para discutir formas de combater o tráfico de seres humanos pela chamada “rota Ocidental”, por via marítima.

Participaram da reunião a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e os primeiros-ministros da Itália, Paolo Gentiloni, e da Espanha, Mariano Rajoy, e a chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, do lado europeu. Além deles, foram convidados os chefes de Estado do Chade, Idriss Déby, do Níger, Mahamadou Issoufou, além do chefe do governo de união nacional da Líbia, Fayz Al Sarraj. 

O objetivo da reunião diplomática foi coordenar os esforços internacionais para continuar a reduzir o número de travessias e de mortes em alto mar. O primeiro alvo da iniciativa europeia são as redes de tráfico de seres humanos, que cobram dos imigrantes por um lugar em botes infláveis que fazem a travessia do Mediterrâneo.

O preço de um lugar nesses botes caiu de cerca de € 2 mil há cinco anos para em torno de € 200 hoje, o que explica em parte o crescimento da imigração via marítima. Ao mesmo tempo, a segurança dos viajantes foi ainda mais negligenciada, resultando em maior número de mortes.

O segundo objetivo da iniciativa europeia é melhorar as condições de acolhimento de refugiados nos países de destino – ou seja, Grécia, Itália, Espanha, França e Alemanha, em especial. As autoridades públicas também vão se articular dentro da Europa para reduzir o trânsito entre países, o que leva ao descontrole sobre os pedidos de refúgio já feitos ou sobre o destino de menores de idade, por exemplo. A última etapa da iniciativa é a criação de centros de triagem de pessoas que teriam o direito de solicitar refúgio na Europa.

Eles já existem em solo europeu, mas a proposta de Macron é que centros de triagem sejam criados no Níger e no Chade de forma a evitar que os imigrantes se arrisquem no mar e acabem tendo o status de refugiados negado nos países de destino. Para tanto, seriam criadas “missões de proteção”, integradas por funcionários europeus que selecionarão os candidatos ainda na África. 

Para aceitar a instalação dos centros de triagem, chefes de Estado africanos pedem contrapartidas, financiadas pela Europa, que vão do financiamento de medidas de combate à miséria até a vigilância de fronteiras. 

 

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