Europa recebe 250t de cocaína por ano da América Latina

A Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes, órgão da ONU encarregado de vigiar o cumprimento dos tratados internacionais com relação às drogas, apontou em seu relatório anual de 2006 que cerca de 250 toneladas de cocaína provenientes da América do Sul entram a cada ano na União Européia.No documento, que será apresentado oficialmente amanhã em Viena, a América do Sul continua sendo apontada como a principal fonte mundial de cocaína, apesar de uma redução no potencial de produção da droga na região."Em 2005, as maiores superfícies de cultivo ilícito de coca foram registradas, em ordem decrescente, na Colômbia, Peru e Bolívia", e em toda a "sub-região andina" a superfície de cultivos de coca aumentou ligeiramente, de 158 mil, em 2004, para 159.600 hectares, em 2005."Todos os anos entram cerca de 250 toneladas de cocaína na União Européia", a maior parte transportada por mar a partir de Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Venezuela e Suriname, ressalta o relatório, com base em dados obtidos pelo Serviço Europeu de Polícia (Europol).Na Colômbia, os cultivos ilícitos de coca aumentaram 6 mil hectares, atingindo 86 mil em 2005, apesar da erradicação de 170.070 hectares neste ano. Com isso, o relatório aponta que as plantações ilegais se estenderam rapidamente para outras regiões, sobretudo as fronteiras com Equador e Venezuela.No Peru, os cultivos ilícitos diminuíram 4%, para 48.200 hectares, entre 2004 e 2005, o que contribuiu com a erradicação de 12 mil hectares em 2005. Entre janeiro e agosto de 2006 foram erradicados outros 8 mil hectares.Também foram reduzidos os cultivos ilícitos na Bolívia, para 25.400 hectares em 2005, 8% menos que no ano anterior. Quanto à fabricação de coca, a Colômbia é de longe o maior produtor, com 168 toneladas de cloridrato de cocaína apreendida, quase 50 vezes superior à soma das apreensões de Bolívia e Peru.A diminuição na fabricação potencial de cocaína na região, que abastece mercados negros dos Estados Unidos e da Europa, onde é registrada sua maior demanda, foi considerada moderada, com apenas 3%.Segundo os dados da ONU, na Venezuela o volume de cocaína apreendida aumentou 87% em 2005 em comparação com 2004, totalizando 58,4 toneladas, às quais somam-se outras 23 toneladas nos primeiros nove meses de 2006.No Brasil foi descoberta uma nova tendência: "o uso dos correios para enviar drogas do Brasil para a África do Sul, e de lá para a Europa e a Austrália".

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