YASIN AKGUL/AFP
YASIN AKGUL/AFP

Europa recebeu 500 mil imigrantes desde o início do ano

Número é quase o dobro de todo o ano de 2014 e representa um recorde

Jamil Chade, CORRESPONDENTE, GENEBRA, O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2015 | 20h39

Mais de 500 mil imigrantes já entraram na Europa nos oito primeiros meses do ano, quase o dobro de 2014 e um recorde absoluto. Os dados foram divulgados pela Frontex, a agência de fronteiras da UE. Apenas no mês de agosto, 156 mil estrangeiros entraram no bloco. Nas ilhas gregas, 88 mil pessoas foram registradas apenas no mês passado, 11 vezes mais que em 2014, e 75% deles são sírios.

Segundo a Frontex, as pessoas desembarcando na Grécia ignoram o perigo que representa o uso de botes para cruzar o Mar Mediterrâneo e continuam a fazer a viagem. Na Hungria, que ontem fechou sua fronteira, o registro aponta para mais de 52 mil pessoas chegando da Sérvia, 20 vezes mais que um ano antes. Desde o início do ano, a Hungria registrou a chegada de 155 mil estrangeiros.

Se a nova rota pelos Balcãs ganhou força, os números também apontam para uma queda no fluxo de pessoas desembarcando na Itália, tradicionalmente uma porta de entrada para a Europa. Em agosto foram 13 mil pessoas que chegaram ao sul da península, metade do que havia sido registrado em 2014.

A Frontex ainda alerta que, em oito meses, as operações realizadas pelo mar socorreram 106 mil migrantes.

Mas, para a ONU, esse trabalho não tem sido suficiente. As mortespassam de 3 mil e a entidade critica o fato de a União Europeia não ter chegado a um acordo na segunda-feira sobre como repartir 160 mil refugiados pelo continente e criar um plano para lidar com a crise.

"O caos vai continuar", alertou Melissa Fleming, porta-voz do Alto-Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur). "Estamos desapontados", declarou. Na segunda-feira, a UE fracassou em chegar a um acordo para distribuir 160 mil pessoas pelo continente e criar um plano para lidar com a crise. Uma das propostas é a de se criar zonas fora da UE nas quais os refugiados seriam registrados, antes mesmo de entrar no bloco.  

Ontem, o alto-comissário da ONU para Refugiados, Antonio Guterres, criticou a decisão da Hungria de fechar suas fronteiras, apontando que a medida era "física, moral e legalmente inaceitável". Diante da barreira criada, ele apelou por um "plano de emergência para ajudar a Sérvia". 

A ONU também alertou ontem que o fluxo de refugiados pode aumentar nas próximas semanas. Isso por conta da falta de recursos para lidar com os refugiados sírios que estão nos demais países do Oriente Médio. O temor é que, com uma situação cada vez mais crítica, essas pessoas optem por buscar alternativas e partir em direção à Europa.

Quebrada, a ONU foi obrigada a interromper a ajuda. Em setembro, 360 mil refugiados sírios pararam de ser alimentados com os recursos da entidade e 1,3 milhão de refugiados tiveram a ajuda cortada pela metade. 

Sem recursos, a ONU consegue hoje distribuir diariamente a cada refugiado, em média, US$ 0,50 para alimentação.


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