Damir Sagolj/Pool Photo via AP
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Europa reforça controle em suas fronteiras

A medida, já adotada no fim de 2015 como resposta aos ataques em Paris, causou polêmica em um continente que havia derrubado de forma progressiva suas fronteiras entre os países da União Europeia

Jamil Chade - CORRESPONDENTE / GENEBRA , O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2016 | 16h11

O atentado de Nice levou França, Espanha, Alemanha e Itália a anunciarem o reforço do controle de suas fronteiras. A medida, já adotada no fim de 2015 como resposta aos ataques em Paris, causou polêmica em um continente que havia derrubado de forma progressiva suas fronteiras entre os países da União Europeia. As novas medidas anunciadas nesta sexta-feira voltam a erodir a livre circulação pelo continente. 

O primeiro a anunciar o controle foi o presidente francês, François Hollande, que também convocou uma reunião de ministros de Relações Exteriores do bloco para segunda-feira. Paris informou que iria mobilizar 10 mil soldados e reservistas para elevar os controles nas fronteiras. "Vamos colocar atenção em reforçar as fronteiras", indicou. 

Em Berlim, o governo de Angela Merkel seguiu a mesma linha. "Em coordenação com as autoridades de segurança da França, a polícia federal alemã está fortalecendo o controle de suas fronteiras", indicaram as autoridades alemãs. A medida seria válida para aeroportos, trens e estradas. Mas Berlim garantiu que suas fronteiras continuariam abertas. 

Na cidade de Colonia, uma festa popular marcada para este sábado foi mantida, com fogos de artifício. Mas a segurança foi reforçada e caminhões serão proibidos de chegar perto do local. 

Na estrada, no sul da França e em Barcelona, na Espanha, viajantes relataram ao Estado que filas de mais de uma hora de espera foram formadas, enquanto as autoridades espanholas verificavam praticamente todos os veículos que passavam pela fronteira na manhã de sexta-feira. O governo de Madri deixou claro que os controles nos pontos de passagem com a França seriam "frequentes" a partir de agora.  

Na Itália, o governo também decidiu reforçar suas fronteiras, principalmente os trechos com a França e nas proximidades de Nice. "Somos parte do mundo livre e isso nos faz também alvos", declarou o ministro do Interior, Angelino Alfano. Três estradas ligam Nice ao território italiano.

As medidas se somam às que já existiam na Áustria, Dinamarca, Suécia e Noruega e foram estabelecidas no ano passado. "Essa é uma realidade que teremos de conviver a partir de agora", declarou a entidade Centro de Política Europeia. 

Para analistas, os controles podem ajudar a polícia francesa, caso seja constatado que o atentado em Nice poderia ter a ajuda de mais pessoas, além do motorista do caminhão. Mas também serve para mandar um sinal psicológico para uma população amedrontada por sucessivos ataque. 

Para a ONU, o risco de apontar a fronteira como um elemento de proteção, porém, é criar a imagem de que são estrangeiros que estão aterrorizando a Europa, colocando migrantes e refugiados numa mesma categoria. Num recente levantamento, o Pew Center mostrou que a maioria da população em países como Grécia, Itália ou Hungria indicou que o maior fluxo de refugiados significa maior insegurança. 

Em outros lugares da Europa, a segurança também foi reforçada. O prefeito de Londres, Sadiq Khan, prometeu rever as medidas de segurança da cidade. "Faremos tudo para tornar Londres segura", disse o político muçulmano. No Reino Unido, o risco de um atentado está classificado como "severo".  

Na Bélgica, o governo de Charles Michel indicou que as festas para comemorar o dia nacional do país, em uma semana, serão mantidas. Mas com segurança extra. 

 

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