Miguel Medina/AFP
Miguel Medina/AFP

Europa se aproxima do desconfinamento enquanto coronavírus reaparece em Seul e Wuhan

Ao redor do mundo, desejo por uma reabertura após o confinamento esbarra no medo de uma segunda onda de contaminação

Esther Sánchez, AFP

10 de maio de 2020 | 13h04

PARIS - Vários países europeus, como França e Espanha, vivem neste domingo, 10, o último dia de confinamento, entre alegria e medo de uma segunda onda de contágios do novo coronavírus, que deixou quase 280 mil mortos no mundo, mais de 10 mil deles no Brasil. E para complicar ainda mais a situação, novos casos da doença foram registrados em Seul e Wuhan.

Na França e na Espanha, que figuram entre os países mais afetados pela covid-19, milhões de pessoas devem recuperar uma tímida normalidade, como já aconteceu na Itália e Alemanha.

Quase cinco meses depois de seu surgimento na China, no fim de 2019, a pandemia que deixou mais da metade da humanidade em confinamento e paralisou a economia mundial parece estar sob controle em vários países, apesar da propagação em outras regiões, em particular as Américas.

Mas o fantasma de uma segunda onda, e talvez até uma terceira, mencionado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), está presente.

A Coreia do Sul, considerada um modelo na gestão da crise, é um exemplo: depois de conter a propagação do vírus e flexibilizar as restrições, a prefeitura de Seul se viu forçada no sábado, 9, a fechar todos os bares e clubes ante um novo e evidente aumento dos casos de covid-19.

A China registrou o primeiro caso em mais de um mês na cidade de Wuhan, berço da pandemia.

Entre reabertura e novos casos

O presidente sul-coreano Moon Jae-in declarou neste domingo que os novos casos de contaminação estabeleceram a consciência de que mesmo durante a fase de estabilização, situações similares podem surgir novamente a qualquer momento. "Isto não vai terminar até que realmente chegue ao fim", disse Moon.

Na Alemanha, outro país considerado exemplar durante a crise, o teto estabelecido de 50 novos contágios para cada 100 mil habitantes está sendo superado em três regiões. O país, que retomará o campeonato de futebol nos próximos dias com portões fechados, permitiu a reabertura de bares e restaurantes no sábado no estado de Mecklembur-Pomerania, às margens do mar Báltico.

Mas nada voltará a ser como antes. "Nossos funcionários precisam usar máscara e nossos clientes respeitar a distância social", disse Thomas Hildebrand, dono de restaurante em Schwerin.

No Irã, o país do Oriente Médio mais afetado pelo coronavírus, com mais de 6.500 mortes, de acordo com o balanço oficial, também há uma flexibilização das restrições, mas o temor de uma nova onda de infecções está muito presente.

Muitos moradores de Teerã aproveitaram a reabertura das lojas. Outros observavam com receio a falta de respeito às medidas de segurança. "A fila dos idiotas", murmura Manouchehr, um comerciante, diante de uma longa fila em uma casa de câmbio no distrito de Sadeghieh, oeste da capital.

A partir de segunda-feira, 11, a Espanha, um dos países mais afetados pela pandemia, com mais de 26.600 vítimas fatais, metade dos 47 milhões de habitantes entram na fase 1 do período de desconfinamento, que permitirá reuniões com grupos de até 10 pessoas, a permanência em terraços com presença limitada ou a visita a lojas sem a necessidade de agendamento.

As zonas mais atingidas, como Madri e Barcelona, terão que aguardar uma situação melhor para entrar nesta etapa, entre apelos à "prudência" do primeiro-ministro Pedro Sánchez, para quem o vírus segue "à espreita".

Na França, o desconfinamento também acontecerá por regiões "verdes" ou "vermelhas". Em Paris, as autoridades pedem máximo rigor para respeitar as regras de saúde. Está prevista a reabertura parcial das escolas, uma medida que provoca preocupação entre as famílias.

Crescente de mortos e novos casos

No Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson apresentou neste domingo, 10, o dispositivo de desescalada progressiva no país, que, com mais de 31.500 mortos, é o mais afetado da Europa e o segundo do mundo depois dos Estados Unidos.

Duramente criticado por seu relaxamento inicial e por decidir o confinamento mais tarde que seus grandes vizinhos europeus, Johnson, que chegou a ser internado na UTI depois ser infectado pela covid-19, se tornou um ferrenho defensor da prudência e da paciência.

A primeira fase autoriza a volta ao trabalho para as pessoas que não podem exercer suas funções em casa e libera saídas para praticar esportes e tomar banho de sol. Segundo ele, este é “o primeiro esboço” do roteiro de saída do confinamento imposto em 23 de março. 

Em um discurso televisionado, o líder conservador recomendou o respeito às normas de higiene e distanciamento social, sob pena de multa, pediu que as pessoas não usem o transporte público e deem preferência ao uso de carros e bicicletas. As novas medidas, que serão revogadas caso seja detectada uma nova onda de infecções, só se aplica à Inglaterra. Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte já anunciaram que vão manter o confinamento. 

O “segundo passo do roteiro”, de acordo com Johnson, é a reabertura parcial de alguns comércios e escolas primárias em junho. O chefe do governo também adiantou que vai anunciar em breve uma quarentena obrigatória de 14 dias para as pessoas que chegarem de avião ao Reino Unido. 

Nos Estados Unidos, que se aproxima de 80 mil vítimas, o presidente Donald Trump, também muito criticado pela gestão da crise, observa o vírus se aproximar de sua equipe.

Katie Miller, porta-voz do vice-presidente Mike Pence, apresentou resultado positivo. E três altos funcionários da Saúde Pública, entre eles o epidemiologista Anthony Fauci, entraram em quarentena depois que tiveram contato com pessoas infectadas, de acordo com a imprensa.

Os números também são galopantes na Rússia, que neste domingo superou 200 mil casos, com um elevado número diário de contágios que pode levar o país a tornar-se na próxima semana o país europeu mais afetado.

Mais de quatro milhões de pessoas foram infectadas em todo o mundo pela covid-19, segundo um balanço da AFP com base em fontes oficiais.

O Brasil superou no sábado a marca de 10 mil mortes provocadas pelo novo coronavírus, de acordo com o balanço oficial, e é o sexto país no mundo com o maior número de vítimas. O Congresso e o Supremo Tribunal Federal declararam um período de luto oficial de três dias. Ao todo, já são quase 20 mil mortes na América Latina e Caribe, e 360 mil casos confirmados./ AFP

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