Tom Pennington/Getty Images/AFP
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Europa se preocupa com avanço de Trump na corrida presidencial

Para editorialista do Financial Times, se empresário chegar à Casa Branca, será uma ‘catástrofe planetária’. Ele ainda qualificou Trump de ‘xenófobo e ignorante’

O Estado de S. Paulo

04 de março de 2016 | 09h31

LONDRES - Superada a perplexidade provocada pela pré-candidatura de Donald Trump à presidência dos EUA, a Europa vê com preocupação o avanço do magnata, que soa como um alerta diante da ascensão do populismo no continente.

Em visita a Washington, o ministro alemão das Relações Exteriores, o social-democrata Frank-Walter Steinmeier, fez um discurso que envolveu claramente o favorito nas primárias republicanas. "Na Alemanha e na Europa se desenvolve algo na nossa vida política e, para ser honesto, constato aqui também, nos EUA, durante a campanha das primárias: a política do medo", disse Steinmeier em um discurso para estudantes.

Donald Trump na Casa Branca seria uma "catástrofe planetária", escreveu o editorialista do Financial Times, Martin Wolf, após a vitória do magnata nas votações da Superterça. Trump é um "xenófobo e um ignorante", acrescentou Wolf, que estabeleceu um paralelo entre a trajetória do milionário, a queda do império romano e, inclusive, a ascensão de Hitler.

A imprensa francesa demonstrou a mesma inquietação, estabelecendo um vínculo entre a irresistível ascensão de Trump e os recentes êxitos eleitorais da extrema direita na França e Europa. "Trump não é apenas uma curiosidade ianque. Critica as elites instaladas, acusa os imigrantes de tudo e promete a Lua aos brancos afetados pela crise. Uma música populista conhecida deste lado do Atlântico. Mais preocupante do que engraçado", diz o jornal Le Parisien.

O jornal conservador Le Figaro anunciou que, à sua maneira, Trump é um "emissor de alerta". "Convém lembrar às elites políticas europeias que é perigoso esquecer o idioma daqueles aos quais pedem o voto", destacou a publicação.

Para o jornal alemão Die Welt, Trump é a versão americana da ascensão da extrema direita na Europa, o representante de um "desejo de revanche contra as elites arrogantes". "Trump, Le Pen, Petry e todos os outros se parecem em seu narcisismo, que se alimenta do tumulto e da doença da demagogia", destacou o jornal. Frauke Petry é a principal dirigente do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que vivencia uma alta nas pesquisas eleitorais graças à crise dos imigrantes.

"Quando a classe média começa a votar em Trump, temos um problema", resumiu o economista sueco Sandro Scocco, do círculo de reflexão de esquerda Arena. Para ele, o auge da extrema direita se deve ao aumento das desigualdades sociais.

No fim de 2005, as declarações de Trump dizendo que seria preciso impedir "temporariamente" o acesso dos muçulmanos aos EUA receberam uma onda de críticas, e foram vistas por muitos como "estúpidas e falsas". Se Trump "viesse ao nosso país, estaríamos todos unidos contra ele", respondeu Cameron.

Por outro lado, o bilionário recebeu o apoio de outra personalidade da extrema direita francesa, o ex-presidente da Frente Nacional Jean-Marie Le Pen. "Se fosse americano, votaria em Donald Trump", escreveu em sua conta no Twitter. /AFP

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