Europa: Siemens ficará fora de licitação pública até 2015

Multinacional ainda se comprometeu a pagar mais de R$ 40 milhões em compensações e a ajudar em investigações

Jamil Chade,

03 de agosto de 2013 | 02h08

A Siemens está proibida até o fim de 2014 de participar de qualquer licitação pública promovida pelo Banco Europeu de Investimentos (BEI), justamente por violações da política antifraude na Europa. Os dados fazem parte do informe que foi publicado ontem pela empresa alemã e confirmam que um acordo acabou sendo fechado entre o banco e a multinacional, depois da revelação de violações.

As irregularidades foram descobertas pelo BEI que, na Europa, tem a função de financiar projetos de desenvolvimento de infraestrutura. As violações teriam ocorrido em licitações públicas. Segundo o informe financeiro da Siemens, a empresa tomou a decisão por conta própria de se afastar de qualquer tipo de licitação pública financiada pelo banco por 18 meses, contados a partir de março.

Além de ficar de fora de grandes contratos, a Siemens ainda se comprometeu a pagar um total de 13,5 milhões (mais de R$ 40 milhões) em compensações. O dinheiro será destinado a entidades, organizações não governamentais e universidades que tenham projetos dedicados à luta contra a corrupção. Pelo acordo, a gigante alemã também se comprometeu a ajudar o BEI nas investigações em relação "à condução ilícita de projetos financiados" pelo banco.

 

Banco Mundial. Mas a corrupção da Siemens não se limitou ao BEI. A multinacional alemã foi flagrada em um esquema de corrupção envolvendo contratos financiados pelo Banco Mundial. Em 2009, a instituição revelou que os alemães teriam pago propinas de até US$ 3 milhões para ficar com contratos milionários na Rússia.

Como punição, a Siemens ficou entre 2009 e 2011 proibida de participar de qualquer projeto no mundo que fosse financiado pelo Banco Mundial. A instituição ainda conseguiu que a empresa se comprometesse a destinar US$ 100 milhões nos próximos 15 anos para lutar contra fraude e contra corrupção.

 

Estados Unidos. Ainda em 2009, a Siemens encerrou uma das maiores investigações de corrupção na história corporativa, aceitando pagar a multa de U$ 1 bilhão a autoridades da Alemanha e dos Estados Unidos por propinas que pagou a funcionários públicos estrangeiros para garantir contratos em obras públicas.

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