AP Photo/Petros Giannakouris
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Após acordo com Turquia, especialistas temem surgimento de novas rotas na Europa

Especialistas advertiram que o fechamento da 'rota dos Bálcãs' significará apenas o aumento da 'rota da Albânia', passando pela Itália

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

04 Abril 2016 | 19h49

Há um mês, Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, o fórum de presidentes e primeiros-ministros da União Europeia, lançou uma previsão quando o acordo com a Turquia ainda vinha sendo negociado: “O tempo da imigração irregular na Europa acabou”. Hoje, primeiro dia da política em vigor, especialistas advertiram que o fechamento da “rota dos Bálcãs” significará apenas o aumento da “rota da Albânia”, passando pela Itália.

A estimativa leva em conta o fato de que a rota dos Bálcãs não foi, historicamente, a mais movimentada na imigração ilegal rumo à Europa. Esse caminho foi reforçado pelo êxodo de sírios, iraquianos e afegãos, que encontraram no percurso por Turquia, Grécia, Macedônia, Sérvia, Croácia, Hungria, Eslovênia e Áustria uma alternativa viável para chegar à Alemanha. Esse foi o caminho trilhado por 885 mil estrangeiros em 2015, segundo estimativas da Agência Europeia de Fronteiras (Frontex).

Na Itália, um dos temores é que não apenas a travessia de barco pelo Mediterrâneo ganhe novo fôlego ao longo da primavera e do verão na Europa, como uma rota hoje pouco usual, via Albânia, ganhe impulso. 

Segundo o ministro do Interior da Itália, Angelino Alfano, ainda não há indícios de que a rota ganhará impulso, mas especialistas estimam em até 140 mil o número de estrangeiros que poderiam cruzar de barco o Mar Adriático, chegando ao solo italiano, como forma de driblar as barreiras construídas por países como Macedônia e Hungria.

Para Geneviève Garrigos, presidente da Anistia Internacional, na França, é real o risco de que novas rotas, mais perigosas, substituam a dos Bálcãs. “Tememos que, no final das contas, os refugiados decidam tomar outra rota, como a do Sinai, passando por Egito ou Líbia”, afirmou, qualificando o percurso de extremamente perigoso. “Este acordo faz com que as instituições europeias ganhem tempo, mas é ilegal e pode agravar a situação.”

Além do risco de que o problema apenas mude de endereço, um outro fantasma paira sobre o acordo entre UE e Turquia: as dúvidas sobre sua legalidade em relação ao direito internacional. Para o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur), o entendimento firmado entre Bruxelas e Ancara não responde a todos os requisitos da Convenção de Genebra, assinada em 1949, que serve de base legal à concessão de refúgio e asilo político. 

Para Katerina Kitidi, porta-voz do Acnur, os centros de triagem da Grécia não respeitam todos os critérios estabelecidos pelo direito internacional. Segundo o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, autoridades de Alemanha e Turquia estão em contato para dar garantias aos refugiados. 

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