Europa tenta se afastar de "guerra" contra terroristas

Líderes europeus, que prometeram apoiar os Estados Unidos na luta contra o terrorismo, começaram a dar um tratamento cauteloso à questão, buscando dispersar qualquer sugestão de que a Europa está em pé de guerra. "As loucas criaturas que cometeram esses crimes terríveis esta semana talvez esperassem de nossa parte uma resposta desmedida a fim de que houvesse ainda mais devastação", afirmou na Macedônia George Robertson, o secretário-geral da Otan. "Eles estão enganados".O primeiro-ministro francês, Lionel Jospin, que com seu gabinete respeitou três minutos de silêncio pelas vítimas norte-americanas, como em toda Europa, disse: "Não estamos em guerra contra o Islã nem contra o mundo árabe-muçulmano". Ele refletiu a preocupação da Europa em manter a solidariedade com os Estados Unidos ao mesmo tempo que preserva seus interesses. "Solidariedade humana, política e funcional (com os Estados Unidos) não nos priva de nossa livre avaliação de nossa soberania", disse Jospin.O ministro do Exterior da Bélgica, Louis Michel, falando à rádio francesa RTL, disse que a União Européia está "atenta" e "mobilizada" após os ataques terroristas de terça-feira. Mas acrescentou: "não estamos em guerra".Líderes na Alemanha, Grã-Bretanha e Itália pedem prudência na resposta aos ataques, refletindo uma crescente preocupação de evitar que a retaliação jogue o Ocidente numa crise total.O ministro do Exterior da França, Hubert Vedrine, chegou a advertir que uma resposta inapropriada pode resultar num "choque de civilizações". "Não podemos excluir que isso esteja entre os loucos cálculos, daqueles que instigaram os ataques", disse Vedrine.O presidente dos EUA, George W. Bush, usou repetidas vezes a palavra "guerra" para descrever a situação criada pelos ataques. "Acabamos de ver a primeira guerra do século 21", afirmou ele na quinta-feira.Líderes europeus, aparentemente levando em consideração os potenciais custos para os interesses de suas nações, tentavam claramente evitar tal linguagem belicosa.Os ataques "suscitam palavras muito fortes, mas não penso que devemos ser extremistas", advertiu o ministro do Exterior da Bélgica. "Penso que os americanos vão responder de maneira inteligente de uma maneira bem focada, e não serão irracionais", afirmou Michel. "Eles sentirão a responsabilidade que têm de promover uma reação apropriada, além de tudo porque a Europa tem demonstrado sua grande solidariedade".O conselho deliberativo da Otan declarou na quarta-feira que se os atentados foram organizados por países estrangeiros, ele iria considerar que o ataque foi feito contra todas as 19 nações da aliança atlântica. Isso ativaria o Artigo 5, significando que os Estados Unidos poderiam contar com seus parceiros da Otan numa resposta militar.Mas autoridades estão agora destacando que o Artigo 5 não coloca automaticamente em funcionamento a máquina de guerra. "Se os americanos decidirem ativar a Otan, deverão então haver consultas e decisões sobre o que eles querem fazer e como cada um dos aliados pretende responder", disse o chefe da Otan, numa entrevista hoje ao jornal francês Le Monde. Membros da Otan, afirmou ele, tomam decisões individuais, "inclusive sobre o uso das forças armadas"."Eu não apenas espero pessoalmente que não haja uma iminente operação militar baseada no Artigo 5, como também não acredito que isso irá ocorrer", afirmou o ministro da Defesa italiano, Antonio Martino, no Parlamento. "Tornou-se necessário um processo de reflexão".O ministro da Defesa alemão, Rudolf Scharping, exortou que haja uma resposta "calculada" e advertiu contra histerias.

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