Europa treina para reagir a terroristas

Policiais, soldados e socorristas de toda a União Européia reuniram-se nesta domingo para dois dias de treinamentos de como reagir no caso de ataques terroristas que empregam armas de destruição em massa. Salva-vidas da Áustria, Grécia, Itália, Espanha e Suécia juntaram-se a 800 equipes francesas numa base militar do sudoeste da França para os exercícios conjuntos conhecidos como Euratox 2002.O exercício prevê dois cenários drásticos. Primeiro, a explosão de uma bomba radioativa em um cinema com 200 pessoas. Segundo, um vazamento tóxico de amônia em uma piscina fechada. Na segunda-feira, os organizadores planejam simular um ataque em que um pequeno avião sobrevoa um estádio esportivo lotado e dispersa substâncias tóxicas sobre a multidão, contaminando cerca de duas mil pessoas.Os exercícios foram organizados para chamar a atenção dos salva-vidas para os desafios de um possível ataque bioquímico em larga escala e para testar o novo centro de crise da União Européia, instalado em Bruxelas após os ataques terroristas nos Estados Unidos no ano passado."Depois de 11 de setembro, a possibilidade de ataques terroristas na Europa com armas químicas, biológicas e radioativas devem ser levada a sério", disse o diretor do Departamento de Defesa Civil e Segurança da França, Michel Sappin. "Um único país europeu teria dificuldade de lidar com um ataque dessa magnitude. Nós precisamos nos ajudar."No exercício do cinema, a fumaça tomou a sala enquanto as 200 vítimas gritavam em pânico. Integrantes do resgate devidamente paramentados com roupas a prova de produtos químicos entraram, acharam evidências de material radioativo por entre os corpos atingidos. A primeira tarefa era decidir quem salvar e quem deixar morrer. Depois, os sobreviventes precisavam ser descontaminados antes de serem transferidos para os hospitais.Em tendas próximas, trabalhadores removiam as roupas das vítimas. Elas eram lavadas, secas, recebiam novos trajes e eram testadas outra vez para ver se ainda apresentavam traços de radioatividade. "Isso nos ajudou a ter real dimensão do horror que é um ataque com armas radioativas e o pânico que algo assim poderia causar", disse Stephanie Elbeze, bombeira de uma pequena cidade próxima de Canjuers.Em escala européia, os desafios incluem: prover rápido acesso aos grandes estoques de vacinas e antibióticos, coordenar hospitais e serviços de emergência em toda a Europa e encontrar leitos especiais para vítimas contaminadas por substâncias radioativas.O sueco Jonas Holst, um dos 60 observadores da União Européia presentes aos exercícios, admitiu que ainda há um longo caminho a percorrer antes que uma coordenação eficiente de todos os serviços necessários se torne realidade. "Ainda temos de lidar com uma série de pequenos problemas, como mangueiras de diferentes países e padrões", disse. "Diferentes culturas e linguagens podem ser um obstáculo também."Ao final do primeiro dia de exercícios, Sappin assinalou que as equipes de socorro não agiram rápido o bastante e que as equipes de descontaminação deveriam ser redobradas para lidar melhor com desastres em escalas como as das simulações. Para Margot Wallstroem, comissária para o meio ambiente, responsável pela resposta a um ataque terrorista por meio do centro de monitoramento e informação da União Européia, a bomba de 12 de outubro na ilha de Bali só reforçou a necessidade de se fazer esse tipo de exercício. "Os acontecimentos de Bali assinalaram a importância do preparo em lidar com ataques terroristas", disse Wallstroem.

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