Chris Jackson/Pool via AFP
Chris Jackson/Pool via AFP

Europa vai pagar menos que EUA por vacinas 

Vários laboratórios darão descontos para a UE, que comprou imunizantes para seus 27 membros

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2020 | 05h00

BRUXELAS - A União Europeia está pagando menos do que os Estados Unidos por uma variedade de vacinas contra o coronavírus, incluindo o imunizante da Pfizer-BioNTech que está sendo distribuído em todo o país, revelou uma comparação feita pelo jornal The Washington Post. Os custos para a UE eram confidenciais, até que uma funcionária do governo belga tuitou – e depois excluiu – uma lista com os valores na quinta-feira.

Comparando a lista com os cálculos da Bernstein Research, uma empresa de análise e investimento, parece que o consórcio de 27 nações da UE têm um desconto de 24% na vacina da Pfizer em comparação com os EUA, pagando US$ 14,76 (R$ 75,15) por dose em comparação com US$ 19,50 (R$ 99,29) nos EUA. Algumas das diferenças indicam que a UE subsidiou o desenvolvimento dessa vacina.

O bloco europeu pagará 45% menos do que os EUA pela vacina AstraZeneca-Oxford atualmente em desenvolvimento. Mas vai pagar 20% a mais do que os EUA pela vacina da Moderna.

Os preços por dose das vacinas são mais baixos do que a maioria dos medicamentos de marca, mas as centenas de milhões de doses necessárias para vacinar populações inteiras aumentarão significativamente os custos para países individualmente. As disparidades entre os preços gerais dos medicamentos nos EUA e na Europa há muito provocam indignação no Congresso americano.

A lista também destaca por que os legisladores esperam que a vacina da AstraZeneca seja eficaz e receba a aprovação – a US$ 2,19 (R$ 11,15) a dose, é quase um sétimo do preço da vacina da Pfizer atualmente administrada nos EUA e no Reino Unido. A maioria das vacinas atualmente em desenvolvimento requer duas doses, embora a da Johnson & Johnson, que custa US$ 10 (R$ 50,92) nos EUA e um pouco mais na Europa, seja uma única injeção.

A UE tem mantido sigilo sobre os preços que negociou para 2 bilhões de doses de várias vacinas, atraindo a atenção dos defensores da transparência para quem o público e os legisladores têm o direito de saber quanto estão pagando pelas vacinas. Como nos EUA, a maioria dos países dará as vacinas a seus cidadãos.

A secretária de Estado do Orçamento da Bélgica, Eva De Bleeker, postou a tabela de custos no país com vacinas no Twitter na quinta-feira, e a excluiu logo depois. Como a União Europeia negociou coletivamente as vacinas em nome de seus membros, os mesmos preços se aplicam às 27 nações.

Um porta-voz de De Bleeker confirmou a autenticidade do tuíte e disse que ele foi publicado após uma discussão no Parlamento belga e acusações da oposição de que não havia dinheiro para pagar as vacinas no orçamento de 2021 do país.

“A equipe de comunicação postou o tuíte para encerrar a discussão”, disse Bavo De Mol, o porta-voz. “Queríamos a maior transparência possível, mas talvez tenhamos sido transparentes demais.” A violação foi relatada pela primeira vez pelo HLN, um jornal belga.

A União Europeia contribuiu com parte do custo para o desenvolvimento da vacina da Pfizer/BioNTech. Outros imunizantes – incluindo alguns dos que são mais caros nos EUA – fazem parte da Operação Warp Speed, o esforço do governo americano para financiar a pesquisa de vacinas.

A UE negociou como um bloco, mas a maioria dos outros países, incluindo os EUA, estão negociando contratos individuais com empresas farmacêuticas. As cláusulas de sigilo presumivelmente beneficiam os fabricantes, pois facilitam a variação dos preços de país para país.

A Agência Europeia de Medicamentos provavelmente aprovará o imunizante da Pfizer-BioNTech na segunda-feira, com a vacina prevista para ser lançada em toda a UE na última semana de dezembro. As vacinas serão partilhadas igualmente em toda a União Europeia com base na dimensão da população de cada país. / W.POST

 

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