Europa vê sinais de que conflito está no fim

Indícios de que governo de Kadafi estaria disposto a negociar sua renúncia aumentam em Trípoli e em Paris

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / PARIS

O reconhecimento do Conselho Nacional de Transição (CNT) como "autoridade governamental" pelo Grupo de Contato da Líbia, formado pelos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e pelo mundo árabe, foi interpretado ontem na Europa como mais um sintoma de que a crise na Líbia pode estar perto do fim.

Nos últimos dez dias, os sinais de que negociações diplomáticas estão em curso aumentaram em Trípoli e Paris.

Os indícios começaram a se tornar públicos depois que Saif al-Islam Kadafi, filho do ditador líbio, Muamar Kadafi, afirmou, em entrevista ao jornal argelino El Khabar, que emissários do regime líbio estariam em contato direto com diplomatas franceses no Cairo, no Egito.

A informação de Al-Saif foi desmentida pelo Palácio do Eliseu. "A França é favorável a uma solução política, como sempre afirmou", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França, Bernard Valero. "Não há negociações diretas entre a França e o regime de Kadafi, no entanto nós lhes enviamos mensagens, sempre com o conhecimento do CNT e de nossos aliados."

Em entrevista ao jornal francês Le Figaro, o primeiro-ministro da Líbia, Baghdadi al-Mahmoudi, afirmou que estava pronto para negociar com a União Europeia - em particular com a França - e com os rebeldes do Conselho Nacional de Transição. Ele deixou aberta a hipótese de Kadafi deixar o poder, proposta que, até então, tinha sido rejeitada pelo regime líbio.

"Nós estamos prontos para negociar, sem precondições", afirmou Mahmoudi. "Nós queremos simplesmente que os bombardeios parem, para que nós possamos discutir em um clima sereno."

Desmentido. Após a entrevista, Mahmoudi foi desautorizado pelo governo de Kadafi, em Trípoli, e o jornalista do Figaro foi expulso do país. A informação, entretanto, já tinha sido divulgada e reforçava os rumores que indicavam o enfraquecimento do ditador líbio.

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