Europeus alertam para os riscos de uma ação isolada dos EUA

Membros do Parlamento Europeu e autoridades do primeiro escalão da União Européia pediram aos Estados Unidos que não ataquem o Iraque sem o apoio das Nações Unidas, afirmando que uma eventual ação poderá danificar fortemente a ONU e as leis internacionais. Em encontro especial para debater a questão do Iraque, em Strasbourg, na França, o comissário de relações externas da União Européia, Chris Patten, afirmou que apenas a ONU poderia autorizar uma ação militar e que os EUA não podem agir isoladamente ou em coalizão com outros membros. Ontem, pela primeira vez, uma autoridade americana (o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld) admitiu que os Estados Unidos poderão atacar o Iraque até mesmo sem seu mais fiel aliado, a Grã-Bretanha."Dado o papel exclusivo da ONU como fonte de legitimidade, é de extrema importância que qualquer autorização de ataque parta do organismo", declarou Patten, recebendo forte aplausos. "Uma ação isolada de Washington enviaria um sinal perigoso sobre o valor que os EUA dão aos compromissos internacionais", ressaltou. O comissário alertou que está profundamente preocupado com o efeito que uma eventual ação unilateral dos EUA teriam nas relações entre os dois lados do oceano e na Organização do Tratado do Atlântico Norte. Ele teme também que uma ação sem aval da ONU ampliará as tensões terroristas."A invasão do Iraque, enquanto não se consegue alcançar a paz no Oriente Médio, criaria condições exatas para que o terrorismo se amplie e nenhum de nós ficará imune às conseqüências", destacou Patten. O ministro do Exterior da Grécia, George Papandreou, destacou que a guerra não é inevitável e que o governo de seu país estava esgotando exaustivamente os meios para encontrar uma solução pacífica para o caso. A Grécia ocupa atualmente a presidência rotativa da União Européia. Os líderes da União Européia deverão se reunir na próxima semana, em Bruxelas, para discutir a crise do Iraque, mas, a exemplo de encontro anteriores, não deverá emergir um consenso entre os membros do bloco. A França e a Alemanha são opositores veementes ao uso d forças militares, enquanto o Reino Unido e a Espanha apóiam Washington. As informações são da Dow Jones.

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