Europeus antecipam debate para decidir embargo ao Irã

Cúpula de chanceleres na qual cerco à produção de petróleo será anunciado ocorrerá uma semana antes do programado

BRUXELAS, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2012 | 03h03

Os 27 países-membros da União Europeia decidiram ontem adiantar em uma semana a reunião de chanceleres na qual deverá ser anunciado um embargo total ao petróleo iraniano, em retaliação às ambições nucleares de Teerã. Enquanto isso, a Rússia - país tradicionalmente cético em relação às sanções contra o Irã - criticou publicamente a decisão da república islâmica de enriquecer urânio na usina subterrânea de Fordo.

Em Washington, um funcionário de alto escalão do serviço de inteligência disse sob anonimato que os EUA buscam, com as sanções, levar ao descontentamento da população e fomentar um levante para provocar a queda do regime.

Bruxelas afirma ter mudado a data da reunião de chanceleres para evitar que o encontro coincidisse com uma outra cúpula do bloco. Os ministros europeus decidirão sobre a punição ao Irã no dia 23, e não mais no dia 30.

Segundo analistas, o embargo de petróleo é a medida diplomática mais dura já tomada pela UE contra o Irã. O passo seguinte ao fechamento do cerco econômico, afirmam, seria recorrer à força.

Mas os diplomatas europeus não teriam chegado a um acordo sobre quando o embargo ao Irã passará a vigorar. Nos bastidores, autoridades afirmam que alguns países pressionam para que a medida seja imposta em "meses", de forma a reduzir o impacto do embargo sobre suas economias.

Fala-se, por exemplo, no respeito a contratos que tenham duração de 1 a 12 meses. A medida permitiria que os importadores europeus procurassem novas fontes de suprimento.

Entre os principais compradores do petróleo iraniano, há alguns países que correm o risco de quebrar e pôr em xeque a viabilidade do euro. A Grécia, um dos piores casos, importa um terço de seu petróleo do Irã. A Itália, outro grande cliente de Teerã, defende que o embargo não seja adotado uniformemente entre os 27 integrantes do bloco.

Enquanto a Europa discutia a aplicação do embargo, a Rússia criticava a decisão iraniana de enriquecer urânio na usina de Fordo, complexo sob uma montanha perto da cidade de Qom. O chanceler do Kremlin, Sergei Lavrov, orientou Teerã a evitar "movimentos abruptos ou mal pensados". Lavrov, porém, voltou a defender que "todas as questões envolvendo o programa nuclear iraniano sejam tratadas por meio do diálogo". / REUTERS e AP

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