Europeus cobram reconhecimento de Israel por palestinos

Líderes europeus disseram ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que um governo palestino de união deve, claramente, reconhecer a existência de Israel, renunciar à violência e aceitar acordos de paz para que as sanções terminem, disseram aliados de Abbas no domingo. "Nós pedimos aos europeus que nos ajudassem a derrubar as sanções, mas eles responderam que o governo palestino deveria deixar clara a sua concordância com as condições do quarteto", disse o alto auxiliar de Abbas, Saeb Erekat, depois de uma viagem à Europa, em que Abbas buscou apoio para seu acordo de divisão do poder com o grupo extremista Hamas. O "quarteto" é o grupo de mediadores da paz para o Oriente Médio, composto por EUA, Rússia, União Européia e a ONU.As potências ocidentais cortaram a ajuda à Autoridade Palestina depois que o Hamas chegou ao poder, na eleição de janeiro de 2006. Um acordo de governo conjunto, assinado no início deste mês entre Abbas e o Hamas em Meca, na Arábia Saudita, contém a vaga promessa de "respeitar" pactos selados entre israelenses e palestinos. Mas o acordo, que acalmou as hostilidades internas entre os palestinos, não comprometeu o governo a dar continuidade a esses pactos, nem a reconhecer Israel e a renunciar à violência, como exige o quarteto. O ministro da Defesa de Israel, Amir Peretz, disse que um novo governo que não cumprisse tais exigências "aprofundaria a estagnação (diplomática)." "Nós não reconheceremos tal governo e nós não daremos legitimidade a ele", afirmou. Erekat e outras autoridades palestinas disseram que a chave para encerrar o embargo econômico era conseguir que os Estados Unidos derrubassem as restrições a negócios financeiros com o novo governo, assim como persuadir Israel a liberar repasses de impostos aos palestinos. Bancos locais, regionais e internacionais têm sido impedidos de transferir recursos à Autoridade Palestina desde que o Hamas formou seu governo, em março de 2006. Executivos dos bancos dizem temer que, caso burlem as sanções contra o Hamas, sejam impedidos de operar nos mercados financeiros dos EUA. Autoridades israelenses dizem ainda não ter planos de liberar os repasses de impostos. O primeiro-ministro Ehud Olmert disse há uma semana ter chegado a um acordo com o presidente dos EUA, George W. Bush, para manter o boicote até que as condições do quarteto sejam atingidas.

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