Europeus devem fornecer US$ 126 mi em ajuda a palestinos

Líderes da União Européia (UE) concordaram nesta sexta-feira em estabelecer um mecanismo de ajuda aos palestinos que não desrespeite o boicote financeiro imposto ao governo liderado pelo Hamas. De acordo com o plano, a verba - inicialmente US$ 126 milhões - seria destinada aos serviços de saúde e assistência social. Desde que o Hamas assumiu o executivo da Autoridade Palestina (AP), em março, os principais fundos de ajuda financeira aos palestinos (que também são importantes fontes de renda da AP)foram canceladas. Estados Unidos, UE e Israel classificam o grupo como uma organização terrorista.Em uma declaração conjunta, os 25 países membros do bloco europeu disseram continuar "prontos para contribuir com uma quantia substancial ao mecanismo internacional". A fala deixa claro que o dinheiro será enviado a contas criadas especialmente para beneficiar os palestinos, mas não o Hamas.A comissária européia de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, afirmou nesta sexta-feira que os líderes "estão muito perto de um acordo" sobre o mecanismo, que o Quarteto de Madri (UE, Rússia, EUA e a ONU) encomendou à Comissão Européia (CE) para manter as ajudas sem ter que passar pelo Governo palestino, liderado pelo grupo radical Hamas.Segundo a porta-voz de Exteriores da CE, Emma Udwin, se espera "para os próximos dias" um acordo com os demais membros do Quarteto, as instituições financeiras e os países doadores, e que os primeiros pagamentos aos palestinos possam ser feitos no início de julho."Tentamos encontrar uma solução que todos possam aceitar", afirmou hoje Ferrero-Waldner, ressaltando a importância de que a fórmula atingida tenha sido desenvolvida com os demais parceiros internacionais.O grupo islâmico, por sua vez, criticou o plano, alegando que os europeus se curvaram à pressão americana por uma "política hostil" destinada a dividir os palestinos."Isto é lamentável", disse o ministro da Informação palestino, Youssef Rizka.A União Européia planeja destinar ao fundo inicialmente US$ 126 milhões, informou Udwin. "A Europa está determinada a fazer sua parte para prevenir uma crise humanitária nos territórios palestinos", disse Ferrero-Waldner.A comissária viajará no dia 19 a Israel e aos territórios palestinos para apresentar o mecanismo ao primeiro-ministro israelense Ehud Olmert, à ministra de Exteriores Tzipi Livni, e ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, que será o principal interlocutor da comunidade internacional nos territórios.A propostaSegundo a CE, órgão executivo da UE, por enquanto as ajudas incluirão fornecimentos de bens essenciais no setor da saúde, subsídios para as necessidades básicas dos trabalhadores de hospitais e clínicas, e o pagamento das contas de energia.Uma terceira proposta para um programa de subsídios voltado para os mais necessitados ainda deve ser desenvolvido, segundo a CE. O Banco Mundial e a Comissão Européia ficarão responsáveis pelo início do fornecimento das ajudas.Os líderes da UE destacaram hoje "a necessidade de dar uma resposta internacional coordenada à deterioração da situação humanitária, econômica e financeira na Cisjordânia e na Faixa de Gaza", e assinaram a proposta da Comissão Européia para canalizar a ajuda aos palestinos.A UE e os EUA suspenderam sua ajuda direta ao Governo palestino após o Hamas vencer as eleições de 25 de janeiro. O grupo se nega a reconhecer Israel, renunciar à violência e aceitar os acordos de paz de Oslo de 1993. O Hamas está na lista de organizações terroristas da UE e dos EUA. Isto, somado à decisão de Israel de bloquear os pagamentos dos impostos que retém em nome dos palestinos (50 milhões de euros ao mês), levou os territórios palestinos a uma grave crise financeira.A UE também pediu nesta sexta-feria que Israel retome as transferências dos ingressos fiscais e dos direitos de alfândega palestinos. O Executivo da UE ressaltou que o mecanismo está aberto a todos, inclusive Israel, que pode utilizá-lo para canalizar o dinheiro dos impostos.O Governo do Hamas não pode pagar há meses os salários de seus mais de 160 mil funcionários, dos quais depende um quarto da população.O Conselho Europeu recomendou ainda que, para conseguir um efeito imediato, o mecanismo deve se concentrar no fornecimento de artigos de primeira necessidade, nas despesas de funcionamento dos serviços sociais e de saúde, nos serviços públicos, incluindo a provisão de combustível, e nos subsídios sociais.

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